Mauricio Kus
KING KONG, QUEM DIRIA?ACABOU NO PLAYCENTER


Por Mauricio Kus, 15/05/2011 às 22:55

O filme “King Kong”, foi o primeiro a furar a barreira de um milhão de dólares no Brasil, em 1977, quando foi exibido com distribuição da Paris Filmes.  Por ser uma produção de Dino de Laurentiis, que tinha acordo de produção e distribuição com o falecido Alexandre Adamiu, presidente da Paris Filmes, as majors americanas ficaram fora deste polpudo bolo.


Foi o filme de estréia de uma linda jovem loira, de nome artístico Jessica Lange.  Nascida Jessica Phyllis Lange, em Cloquet, Minnesota, em 20 de abril de 1949, teve um breve relacionamento com o bailarino e ator Mikhail Baryshnikov, com quem teve uma filha, Alexandra.  Desde 1982 mora com o ator e dramaturgo Sam Shepard, considerado um dos homens mais cultos de Hollywood, num rancho afastado do borburinho de Hollywood, com os dois filhos do casal, Hanna e Walker.


Ela morava em Nova York, trabalhando como modelo, quando em 1976,  o produtor Dino de Laurentiis a convidou para o principal feminino do filme King Kong. Ficou conhecida como a “mulher do macaco”, já que era uma atriz inteiramente desconhecida para os fãs.


Como as criticas à sua atuação não foram muito favoráveis, ela ficou três anos afastada das telas, retornando em 1979, em grande estilo, no filme “All that Jazz”, uma tentativa de biografar o grande bailarino, ator e diretor Bob Fosse.  Fez depois o remake de “O carteiro sempre toca duas vezes” e “Frances”.  A partir daí, deslanchou como um das melhores atrizes do cinema americano, conquistando dois Oscares da Academia: em 1995, melhor atriz por Blue Sky e em 1983, por Tootsie, como melhor atriz coadjuvante. Ganhou um Prêmio Emmy pela minissérie ou filme em 2009, por Grey Gardens e tem quatro prêmios Golden Globe: melhor atriz em filme dramático, em 1995, por Blue Sky; melhor atriz coadjuvante em cinema, por Tootsie, em 1983; melhor atriz em minissérie ou filme para TV, em 1996, por Um bonde chamado desejo, e em 1976, o prêmio de melhor revelação feminina, por King Kong.

Além disto, coleciona uma série de prêmios e indicações, desde o Oscar, até o Bafta, do Reino Unido e o Festival de Moscou.


Dado curioso: considerada uma das atrizes mais talentosas e premiadas de Hollywood, recebeu em 1998, o prêmio Framboesa de Ouro, como a pior atriz do ano, pelo filme Hush.

Participu de 43 filmes e hoje vive mais reclusa em seu rancho, curtindo o marido e a família.

Pensei em dar o titulo de “Sete dias de Jessica Lange que abalaram o Brasil”,por ser a primeira vez que uma atriz americana passou sete dias promovendo um filme.  Mas acho que a referência ao King Kong no Playcenter causou mais impacto, como explicarei abaixo.

Quando Dino de Laurentiis convidou Jessica Lange para fazer o tour promocional no Brasil, ela era casada com Francisco Paco Grande, um mexicano, de quem se divorciou em 1981.  Pediu para viajar com o marido, por ser muito tímida, mas o produtor vetou e sugeriu que viesse com uma irmã mais velha, chamada Ann, que a acompanhou o tempo todo.

Igualmente, o produtor adicionou ao grupo, o cenógrafo e engenheiro Carlo Rambaldi, criador do King Kong do filme e dos efeitos especiais, que foram tão bons, que chegaram a ofuscar a atuação de Jessica e de Jeff Bridges e Charles Grodin, atores principais do filme.

Jessica e Rambaldi fizeram uma maratona de sete dias, de perder o fôlego.


Participaram de uma coletiva de imprensa, deram várias entrevistas exclusivas, foram homenageados por várias casas noturnas, fizeram uma aparição vivo no dia da estréia do filme, participaram de vários programas de televisão, inclusive no Clube dos Artistas, de Ayrton e Lolita Rodrigues e foram entrevistados por hora e meia no programa Silvio Santos, que entremeava a aparição dos dois com outras atrações do programa, de uma hora e meia de duração.

Eu e minha esposa, Sarinha, oferecemos para eles, um coquetel em nosso apartamento, para dar chance de um contato com os colunistas sociais que insistiam em estar com eles, num ambiente mais propicio a bate papos mais íntimos.

Sem fofocas, exigimos.


Ayrton Rodrigues entrevista Jessica Lange em seu programa “Clube dos Artistas” assessorado por Mauricio Kus, que fez a tradução da entrevista


Levamos Jessica para o Morumbi, onde assistiu o jogo Brasil x Polônia e entregou uma corbeille de flores a Rivelino, o grande astro da seleção brasileira naquela temporada. Ela entrou em campo, quase provocou um torcicolo no goleiro Leão, que insistia em ficar ao seu lado, ao invés de bater bola para esquentamento aguardando o chamado do arbitro. Ao contrário das vaias que acontecem quando uma mulher entra em campo, ela foi muito aplaudida, principalmente quando o alto falante anunciou quem era a atriz.

Alguém sugeriu que ela desse o pontapé inicial, mas o representante da FIFA informou que, mesmo sendo amistoso, o jogo era em data FIFA, portanto não era permitido este tipo de cerimônia.


Mas o nosso propósito foi atingido. Todas as câmaras de TV, rádios e fotógrafos presentes focaram Jessica em grande estilo, proporcionando uma publicidade que não tem preço.

Ah, Playcenter.  Fizemos uma reunião com Alexandre Adamiu, presidente da Paris Filmes e Fernando Elimelek, diretor de marketing do Playcenter, no qual resultou que seu Departamento de Engenharia construiria (com supervisão de Rambaldi) um gorila de 15 metros de altura, que ficaria exposto por 90 dias no ponto mais central do parque.

Como assessor de imprensa das duas entidades, Paris Filmes e Playcenter, pintei e bordei com a promoção, ganhando espaços incríveis na mídia de todo o país.

Como Jessica só ficou em São Paulo, acabei atendendo a um pedido de minha amiga Miriam Alencar, então editora do Caderno B do Jornal do Brasil, e tomamos uma Ponte Aérea, eu, Jessica e Rambaldi, para um encontro com ela no restaurante do Hotel Meridien, com vista para toda a orla de Copacabana e a Baia da Guanabara.  Inútil dizer que ambos ficaram deslumbrados com a beleza da  Cidade Maravilhosa.


A matéria de capa, rendeu tres páginas no Jornal do Brasil.

Na véspera da estréia do filme, o Playcenter promoveu uma solenidade de apresentação do gorila às autoridades, imprensa, meio cinematográfico, patrocinadores, fornecedores e colunáveis.  Foi uma festa que se iniciou às 19 horas e só terminou à meia noite, com 20.000 pessoas lotando totalmente as dependência do Playcenter, que atingiu nesta noite sua capacidade máxima.

Já tendo adquirido uma certa intimidade e confiança, sugeri à já não tímida Jessica Lange, que sentasse na mão do macaco, como fez no filme.

Ela não se fez de rogada.  Subindo pelas escadas laterais da escultura, atingiu a altura de 15 metros e sentou na sua mão, imitando a cena do filme.

O público foi ao delírio e os fotógrafos e cinegrafistas de televisão se esbaldaram na cobertura do evento.

Osmar Santos, em seu período áureo de locutor, foi o mestre de cerimônias da noite e, no seu estilo narrativo, fez o público se empolgar.

Foi um autentico pimba na gorduchinha.

E assim se conta a história do King Kong no Playcenter.

Toda vez que vejo ou revejo, em DVD ou na televisão um filme de Jessica Lange, lembro com saudades daquela trepidante semana.

Uma loucura que fez King Kong ser o primeiro filme não distribuído por uma major americana atingir a bilheteria de um milhão de dólares.

Graças ao espírito empreendedor e audácia do jovem empresário de cinema,  Alexandre Adamiu, que não hesitou em topar a oferta de Dino de Laurentiis e endossou todas as “loucuras” contidas no plano de divulgação.

 

mkus@uol.com.br

 

 



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