Mauricio Kus
CAMPANHA PARA ENTREGA DO PRÊMIO "LIFE ACHIEVEMENT AWARD" PARA O ISQUEIRO ZIPPO


Por Mauricio Kus, 27/10/2013 às 20:27

PRÊMIO "LIFE ACHIEVEMENT AWARD" PARA O ISQUEIRO ZIPPO

Juntamente com os prêmios artísticos, técnicos e melhores filmes, a Academia de Artes e Ciências de Hollywood, entidade que patrocina e administra a entrega dos prêmios “Oscar”, instituiu uma série de premiações técnicas e paralelas, inclusive o chamado “Life Achievement Award”, concedido a atores, atrizes, diretores e técnicos que tiveram uma carreira brilhante, participaram de centenas de filmes de alta qualidade, mas não foram distinguidos com a cobiçada estatueta.

Vários grandes nomes de Hollywood ganharam este prêmio, inclusive Kirk Douglas, Deborah Kerr, Jules Dassin, Jerry Lewis, Roger Cormann, Laureen Bacall, em reconhecimento a uma longa carreira, mas apesar dos inúmeros sucessos, não tiveram a oportunidade de disputar o “Oscar”.

Mas, como a cada ano, acrescentam uma nova categoria, inclusive na parte de evolução tecnológica da indústria do cinema, a premiação foi se esticando e varava as madrugadas, razão pela qual deixaram de ser entregues na cerimônia do Teatro Kodak para serem anunciadas dois meses antes em um jantar de gala, com a presença maciça da comunidade cinematográfica americana.

Era o reconhecimento de que eram ícones americanos, figuras importantes nas telas e muitos deles, participantes de centenas de filmes que projetaram a indústria cinematográfica para o mundo. Eis um ícone não reconhecido ainda, mas que deve merecer a atenção da Academia.

Sem ser uma figura humana, é um objeto de estimação e tema de colecionadores. Hoje considerado um ícone americano, o isqueiro Zippo, que aparece em filmes de Hollywood há mais de 60 anos (deu um “boom” nos anos 40, durante a II Guerra Mundial), apesar de ser sido inventado nos anos 30.

Sobre este mito fala Ernie Pyle, o mais famoso correspondente de guerra mundial, que acompanhou as tropas aliadas desde o conflito na África, até a travessia do Mediterrâneo, rumo à invasão da Itália e no famoso Dia D, em que os aliados desembarcaram na Normandia, invadindo o solo francês para tomar o rumo de Berlim, para o fim do conflito.

Ernie Pyle era corajoso e estava sempre na linha de frente. Pagou caro por isto. Morreu em abril de 1945, atingido por bala japonesa em Okinawa, em plena batalha de recuperação daquela ilha do Pacifico.

Em matéria enviada para seu jornal em 7 de agosto de 1944, Ernie Pyle escreveu: -“Sem dúvida, a Segunda Guerra Mundial teve papel fundamental em tornar o nome Zippo conhecido ao redor do mundo. Soldados levavam seus

isqueiros adorados por todos os lugares que lutaram. O “click” ouvido ao redor do mundo começou a “clicar” em 1943. Se eu fosse lhe contar como esses isqueiros Zippo são desejados no front e a gratidão e felicidade com que os rapazes os recebem, você provavelmente me acusaria de exagero. Eu realmente acredito que o isqueiro Zippo é o item mais cobiçado no exército”.

Ernie Pyle teve seu nome imortalizado pelo cinema no filme “Também somos seres humanos" (Story of G.I. Joe), de William Wellman, com Burges Meredith no papel do repórter e Robert Mitchum como o capitão do exército americano que o acompanhou no front durante a invasão da Normandia. O filme é de 1945.

Apesar da onda tabagista que se espalha pelo mundo inteiro, os filmes, principalmente cuja ação se desenrola entre os anos 30 e 50 mostram os atores fumando (era moda neste período) e utilizando o famoso isqueiro Zippo, que conta em seu currículo uma atividade que nenhum ser humano conseguiu alcançar no cinema: desde os anos 30 foram 1.200 aparições em cena, transformando o isqueiro numa lenda que ainda está longe de ser esquecida.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os Zippo e os soldados eram parceiros constantes, inclusive pela facilidade de acender o cigarro em meio ao inverno rigoroso europeu e ao fato de que a chama não se apagava por mais que ventasse. A Marinha adotou o Zippo, e cada navio de guerra tinha um isqueiro para cada marinheiro, com a efígie do barco.

A maneira como o Zippo é construído torna muito difícil apagar sua chama tentando soprá-la. O jeito correto de fazê-lo é fechando sua tampa. Fechar a tampa de um Zippo rapidamente produz um clique alto, pelo é facilmente reconhecido, razão pela qual é famoso por ser “à prova do vento”.

Raros os atores que não foram flagrados, em cenas de filmes, ou mesmo na vida real, acendendo um cigarro ou um charuto com um isqueiro Zippo. Marlon Brando, Vivien Leigh, Ray Miland, Robert Mitchum, Frank Sinatra, Humphrey Bogart, Edward G. Robinson, George Raft, Paul Newman, Charlton Helston, Gegory Peck, e centenas de celebridades foram flagrados com o famoso click, dentro ou fora das telas.

Entre os estadistas, destacamos Franklin Delano Roosevelt, fumante de piteira, e Winston Churchill, com seus indefectíveis charutos.

Porque um nome tão diferenciado para um isqueiro? Para apagar a chama do Zippo, a melhor maneira é fechar a tampa, consumindo o oxigênio e formando uma espécie de zíper fechado nas bordas da tampa. O inventor do engenho, George G. Blaisdell gostava do som da palavra zipper, e acabou batizando a invenção com uma derivação, que resultou em Zippo. Seu design é tão perfeito e funcional, que não mudou em 81 anos de vida.

Desde 1932, a Zippo produziu mais de 500 milhões de isqueiros, rubrica esta alcançada no em junho de 2012.

Tão importante quanto ícones americanos como Coca-Cola, McDonalds, Harley-Davidson ou Snoopy, o isqueiro Zippo é parte integrante da cultura e história dos Estados Unidos.

Elegante e prático existem milhares de modelos com diferentes acabamentos e todo tipo de tema que definem a personalidade de seus proprietários. É por isto que não é necessário ser fumante para ter um Zippo, ou colecionar seus milhares de modelos.

Atualmente existem 15 clubes de colecionadores ao redor do mundo. Cinco nos Estados Unidos, dois na Inglaterra e Áustria, Canadá, Dinamarca, Itália, Japão, África do Sul, Suíça e Holanda. 21% das pessoas que possuem Zippo são colecionadoras, calculando-se em 5 milhões espalhados pelos cinco continentes.

Pode parecer utópico, mas bem que a indústria cinematográfica de Hollywood poderia conceder ao isqueiro Zippo o prêmio “Life Achievement Award”, em reconhecimento ao protagonista que mais apareceu em filmes, do que qualquer artista, vivo ou morto.

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