Mauricio Kus
O OSCAR E NATALIE PORTMAN – A PRIMEIRA INDICAÇÃO BATEU NA TRAVE, NA SEGUNDA FEZ UM GOL DE PLACA COM “CISNE NEGRO”


Por Mauricio Kus, 20/03/2011 às 13:34

Natalie Portman, que vai completar 30 anos em junho deste ano, tem uma carreira invejável e grandes trunfos, não obstante ser ainda muito jovem e ter muito gás pela frente .


Uma colecionadora de prêmios, guarda na estante de sua casa, dois Globos de Ouro, duas indicações para o Oscar e o Oscar de melhor atriz deste ano, uma decisão unânime, que mereceu aplausos do público e da crítica no mundo inteiro.


Mas, Natalie Portman não se contenta somente em ser atriz.  Ela é bailarina, começou a estudar ballet aos 4 anos, formou-se em psicologia na Universidade de Harvard,em 2003, com aperfeiçoamento na Universidade Hebraica de Jerusalém, em 2004, e também dirigiu dois filmes, “Eve” que estreou no Festival de Veneza e New York, I Love You” uma coletânea de 10 curtas metragens que no  Brasil recebeu o titulo de New York eu te amo.  A seqüência, que ela interpreta, foi dirigida por ela mesmo.


Nascida em Jerusalém, Israel, como única filha do médico israelita e da dona de casa, agora sua agente, Shelley Stevens, Natalie mudou-se com a família para os Estados Unidos, quando tinha três anos de idade.


É vegetariana, fala fluentemente inglês e hebraico e tem conhecimentos de francês e alemão.


Espera para breve um herdeiro, de seu relacionamento com o coreógrafo francês Benjamim Millepied.


A Revlon ofereceu a Natalie a posição de modelo de seus produtos, mas ela recusou – com o consentimento da família – pois sua ambição era ser atriz.  Ela tinha apenas 10 anos.  Mas aos 12, a oportunidade de estrear no cinema, apareceu.


Foi convidada pelo diretor francês Luc Besson, para interpretar uma menina de 12 anos, que tem sua família dizimada por um policial corrupto e se une a um profissional do crime, visando vingança.  O filme tinha titulo original de “Leon”,  e no Brasil, foi exibido como “O profissional.




Natalie se saiu muito bem.  Nem parecia uma menina estreante, atuando ao lado de consagrados atores como Jean Reno, Danny Aielo e Gary Oldman. 


Começou aí uma carreira fulgurante, que culminou este ano com o Oscar, o premio mais cobiçado pela indústria cinematográfica mundial.


Para mim, ou para quem vinha acompanhando sua carreira, inclusive com filmes bobinhos, ou aventuras como as duas trilogias do Guerra das Estrelas não foi surpresa este premio, que já vinha merecendo desde que foi indicada em 2004 por Closer, onde vive um stripper, mostrando toda a sua sensualidade, beleza e talento.


Levou o primeiro Globo de Ouro e faturou o segundo com um filme que passou despercebido no Brasil, mas é muito visto na TV paga, “V-de vingança”, onde raspou a cabeça para interpretar a personagem  Evey Hammond, na adaptação do graphic novel de Alam Moore.


Com apenas 30 anos de idade, e 31 filmes em seu curriculum, Natalie pode se considerar uma veterana,  atuando sem parar, desde que estreou, em 1994.


Natalie é a atual garota-propaganda do perfume Miss Dior Chèrie, e quase pediu demissão desse cargo, em função do destrambelhado diretor criativo da grife francêsa,John Galliano, que se envolveu em escaramuças anti-semitas e divulgou um DVD onde revelava seu amor por Hitler.


Revoltada e indignada, Natalie divulgou um comunicado, logo após o Oscar, em repúdio aos comentários da Galliano, dizendo que não tinha mais condições de trabalhar com ele, de quem sentia nojo.


Imediatamente a Maison Dior demitiu sumariamente o amalucado criador, que ocupava posição na empresa desde 1996, em substituição a Gianfranco Ferre.


Mesmo morando nos Estados Unidos, desde criança, Natalie tem fortes laços com Israel, onde nasceu.  Gostaria de dividir com esta crônica um depoimento escrito por ela e publicado no livro “What Israel Means to Me” (O que Israel significa para mim”, de Alan Dershowitz, ainda sem tradução em português.






Israel é…

Aonde eu nasci. Onde eu chupei meu primeiro picolé e usei adequadamente o banheiro pela primeira vez. Onde muitos dos meus amigos de 18 anos gastam suas noites em bunkers dormindo vestidos com seus capacetes. Onde segurança particular é o único emprego com excedente. Onde desertos florescem e histórias de pioneiros são sentimentalizadas. Onde um espinhoso, e lindo cacto é o símbolo do idealismo Israelense. Onde imigrar para Israel é chamado de “ascender” e emigrar de Israel é chamado “decrescer”. Onde meus avôs não nasceram, mas aonde eles foram salvos.

Onde o ano passa com as temporadas das oliveiras, das amêndoas, das tâmaras. Onde os transgressivos pratos de porco ou caramão proclamam um desafio para um cardápio de Jerusalém. Onde, apesar de substanciosa exceção, secularismo é uma regra. Onde o vinho é religiosamente doce. Onde “casas árabes” é um termo imobiliário com nenhum senso de ironia. Onde existe um material infinito de humor negro. Onde existem incontáveis palavras para “incomodar”, mas nenhum ainda para “agradar”. Onde o riso é a moeda; piadas a religião. Onde partidos políticos se multiplicam mais rápido que a população. Onde se tornar religioso é descrito como “retornando para uma pergunta” e tornar-se secular “retornando para uma pergunta.”

Onde seis cidadãos ganharam o prêmio Nobel em 50 anos. Onde o primeiro que ganhou um ouro Olímpico foi em 2004 por navegação à vela (um Israelense também ganhou o bronze em judô). Onde existe neve duas horas ao norte e hamsin (vento do deserto) duas horas ao sul. Onde a Moisés nunca foi permitido caminhar, mas cujas ruas nós poluímos. Onde a língua na qual Abraão falou para Isaque antes dele ir para sacrificá-lo foi ressuscitada para incluir palavras para “suéter” e “schadenfreude” e “guerra química” e “coletiva de imprensa”. Onde os almuadem cantam e os sinos das igrejas soam e os shofares livremente choram no Muro. Onde os feirantes barganham. Onde os políticos barganham. Onde um dia haverá paz, mas nunca ficará quieto.

Onde eu nasci; onde meu interior recusa abandonar.

Natalie Portman






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