Mauricio Kus
REFRESCANDO A MEMÓRIA...VAGAS LEMBRANÇAS


Por Mauricio Kus, 18/08/2009 às 13:18

Merle Oberon


Eu era relações públicas do São Paulo Hilton e Gene Kelly se hospedou no hotel e pediu que organizássemos uma entrevista coletiva com a imprensa.

Era o final dos anos 80 e ele já estava avançado em idade, mas queria falar de um projeto que tinha em mente para realizar um filme no Brasil.

Os jornalistas conhecidos compareceram e, de repente, surgiu uma senhora idosa, que caminhava lentamente apoiada numa bengala, que poderia ter sido tudo na vida, menos jornalista.

Era, sem dúvida, uma fã e não havia motivo para barrá-la e impedir que vivesse aquele momento de glória num estágio tão avançado de sua vida.

Eis que, no meio da entrevista, ela levanta os braços e a deixamos fazer uma pergunta para Gene Kelly.  Ela disparou: “O senhor não podia dar uma dançadinha?”

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Corria o ano de 1989, duzentos anos da Revolução Francesa e Paris estava em festa.  Era o dia 12 de Julho e a cidade fervia em preparativos para a grande gala do dia 14.  Estávamos, eu e Sarah hospedados no Paris Hilton, entramos no elevador e deparamos com Bob Hope, que foi convidado pelo governo francês para participar das comemorações.

Passado o espanto estendi a mão para ele, confessei minha admiração pelo seu trabalho no cinema e, principalmente, pela dedicação às tropas americanas para quem sempre fazia show no Natal,  em pleno front, durante a II Guerra Mundial.

Perguntou de onde éramos. “Brasil”, disse eu.  “Brazil, South América”, respondeu.  Me deu a mão e um forte e caloroso abraço, muito vigoroso para um “velhinho” de 89 anos.  O elevador chegou ao térreo, a porta se abriu e tomamos caminhos diferentes.

Bob Hope faleceu com 100 anos.

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Em 1979 recebi um telefonema do Rio de Janeiro.  Era Elza Viany, gerente de propaganda e promoções da Warner Bros., que fazia um pedido em nome de Albert Salem, diretor para o Brasil daquela distribuidora.

Salem tinha um amigo que estava hospedado no Othon Palace em companhia de sua esposa, mas não podia vir a São Paulo para recepcioná-los, pois tinha vários compromissos inadiáveis no Rio de Janeiro.

Elza perguntou se eu podia convidá-los para jantar, mostrar a cidade e tornar sua estada agradável.  O casal vinha da Argentina e no caminho de volta para Los Angeles, onde moravam, decidiram ficar dois dias em São Paulo.

Perguntei o nome: “William Wyller” disse Elza.  “Ora, meu Deus, claro que topo, afinal sempre admirei seus filmes. Ele é um dos grandes do cinema americano, um dos meus diretores favoritos.

Jantamos eu e Sara com eles, no Roof do São Paulo Hilton, com maravilhosa vista para São Paulo noturna.  Convidei um casal super simpático, Luiza e André Brett, que nos fizeram agradável companhia.

Como americano janta cedo, começamos o jantar as 8, que se prolongou até meia noite, pois o papo e as histórias da carreira de Wyller eram saborosas e o tempo voou.

Terminamos a noite com um tour de carro pela cidade e o casal Wyller ficou encantado com o bairro da Liberdade e suas lanternas japonesas iluminando as ruas por que passávamos.

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Talvez para as gerações de hoje o nome Merle Oberon não represente muito, mas para minha geração, foi uma das mais lindas e talentosas atrizes de Hollywood, apesar de ter nascido na Índia, onde seu pai serviu como coronel do Exercito Britânico.

Eventualmente, bem que as televisões pagas poderiam passar pelo menos dois de seus filmes, o mais comercial “A Noite Sonhamos” ou o cult “No morro dos ventos uivantes”.

Merle Oberon veio a São Paulo em 1968, acompanhando seu marido, o banqueiro mexicano Bruno Paglai, que tinha negócios no Brasil.

Chegou pela Braniff, companhia aérea que não mais existe (infelizmente, como tantas outras no Brasil e no mundo) e o avião pousava em Viracopos.  Para amenizar a viagem de 90 quilometros pela Via Anhanguera, a Braniff tinha um contrato de shuttle flight(vôo fretado) com a Sadía, que transportava os passageiros de Congonhas a Viracopos e vice-versa em um avião de 30 lugares, com motores em cima da asa, o Dart Herald.

O vôo levava 15 minutos, e quando tinha passageiros importantes eu acompanhava a viagem, saia de Congonhas e regressava duas horas depois. Fui diretor de relações públicas da Braniff de 1961 a 1971.

Sabendo que Merle Oberon estaria a bordo, o finado Omar Fontana, presidente da Sadia, que adorava pilotar, fez questão de levar o avião de Viracopos a São Paulo, num vôo rasante que mostrou a cidade inteira para os famosos passageiros. Parecia que o avião ia tocar nos prédios mais altos, tão baixo voava.

Quando pousamos em Congonhas Merle Oberon (uma das mulheres mais educadas e elegantes de Hollywood) fez questão de ir à cabine agradecer a gentileza do comandante, que desviou de sua rota e fez panorâmicas para mostrar a cidade, em homenagem ao ilustre casal.

E Omar Fontana, do alto de seus 1m92, abriu um largo sorriso e perguntou: “Gostou do meu vôo dos ventos uivantes?

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Ainda Elza Viana e Albert Salem.  Uma manhã pediram-me que fosse encontrá-los numa suíte do São Paulo Hilton, que tinha uma pessoa de Hollywood que precisava de algumas informações e eu poderia ajuda-la com minha experiência no contato com autoridades ou pessoas que pudessem ajudá-lo a abrir algumas portas.

Era Alan Arkin, famoso ator, ganhador do Oscar que vinha de Belo Horizonte onde fora pesquisar locais para filmagens no Estado de Minas Gerais.  Ele se confessou um admirador de Arigó e queria fazer um filme sobre sua vida e seus feitos.Tinha vários roteiros prontos sobre o assunto e um arquivo muito preciso sobre suas curas milagrosas.

Acredito que não conseguiu investidor, pois voltou a Los Angeles na mesma noite, o assunto morreu e o filme na saiu.

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Mais uma de elevador. Estávamos, eu e Sarah, no Hotel Beverly Hilton, em Los Angeles, em plena temporada do Oscar, quando entramos no elevador. Antes que a porta se fechasse, uma linda jovem esbaforida, veio correndo e pediu: “Vocês podem esperar um instante?

Segurei a porta com a mão até que chegasse a acompanhante daquela moça e ela agradeceu em inglês, é obvio: “Muito obrigado, vocês foram muito gentis”. Era Jennifer Jones, ganhadora do Oscar por “A canção de Bernardette” e estrela de grandes filmes, como por exemplo “Love is many plendored thing”




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