Mauricio Kus
O DIA EM QUE SILVIO SANTOS ENTROU ESCONDIDO NO HOTEL SÃO PAULO HILTON


Por Mauricio Kus, 26/07/2009 às 22:18

Silvio Santos e Rachel WeichHomem casado entrando escondido em hotel cinco estrelas dá o que falar. Principalmente se este homem é Silvio Santos.  Foi o que aconteceu numa bela tarde ensolarada às 15 horas, numa verdadeira operação de guerra, que foi bem sucedida, pois ningué  a não ser os poucos organizadores de sua entrada no hotel, ficaram sabendo.

O que fazia ali o famoso apresentador, empresário, dono de televisão, em pleno centro de São Paulo, brincando de homem invisível?

Ai temos que entrar com um flash-back (como se diz em cinema), recuando quatro dias no tempo.

Contratada pelo empresário Waldomiro Saad, chegava a São Paulo a estrela de Hollywood, Rachel Welch,  para fazer um show na famosa e hoje extinta casa de shows “O Beco”, onde iria cantar, dançar e acontecer em uma única apresentação, que,  segundo o saudoso Abelardo Figueiredo, diretor da casa, estava com todos os ingressos esgotados.

Rachel chegou com imensa bagagem, dezenas de malas, pacotes, frasqueiras, bolsas,  e se instalou na suíte presidencial do hotel, com previsão de ficar hospedada até o dia do show, oito dias depois.

Veio em companhia de um galante francês, que funcionava como secretário, empresário, intérprete e  possivelmente otras cositas más que não constavam de sua ficha de hospedagem. Ficaram dias,  reclusos.

A mídia se alvoroçou com a chegada de Rachel e vários repórteres acudiram ao hotel à sua chegada para entrevistas ou fotos, mas o tal senhor francês blindou a atriz, que não falou com ninguém, não tirou fotos e saiu do táxi diretamente para o elevador que a levou à inatingivel suíte.

Como na época eu era relações públicas do hotel, meu telefone não parou.  Desde a mais poderosa revista semanal de atualidades, até a Folha de Passa Quatro, todos queriam entrevistar Rachel Welch, que foi categórica – através de seu porta-voz, o tal francês – não receberia a imprensa.

Acreditem: um acampamento de repórteres e fotógrafos foi armado no hall do hotel e nada quebrava a teimosia da agora show woman, já que não veio ao Brasil como atriz e não tinha nenhum filme para lançar.   Autorizei o maitre a servir, como cortesia da casa, café, refrescos, bolachas, para amenizar a dolorosa e incompreensível espera dos jornalistas.

No terceiro dia, recebi um telefonema de um grande amigo do Rio de Janeiro.  O saudoso Moisés Weltman, diretor da finada  revista Amiga, escritor, jornalista, radialista (autor do famoso seriado radiofônico “Jerônimo, herói do sertão”), que planejava uma capa com Rachel Welch e...Silvio Santos, de quem era grande amigo.

Eu não tinha muita esperança de ser bem sucedido, mas respondi “Vou mandar ver”.

Como uma das poucas pessoas autorizadas a entrar no andar da suíte presidencial, falei com o tal francês, expliquei o pedido do Moisés Weltman e u lá lá ele topou, desde que tudo fosse feito muito sigilosamente.

Acabou o flash back, voltemos ao presente.

Telefonamos para o Silvio Santos convidando-o para vir ao hotel às 14H30. Avisamos ao pessoal da entrada da garagem que Silvio Santos subiria dentro de seu carro com os vidros fechados.

Silvio Santos subiu pelo elevador de carga até o andar da cozinha, saiu do carroentrou no elevador de serviço e desceu até a gerência de recepção atrás do hall de entrada. Sempre acompanhado do gerente de recepção, Sr. Sami Murad.

Simultaneamente, Rachel Welch desceu pelo elevador de serviço e se dirigiu à gerência da recepção, onde fiz as apresentações. Indiferente, ela recebeu Silvio Santos, deu um sorriso simpático, posou para a foto e se mandou, sempre em companhia do tal francês.  Não trocaram palavras.

E a capa da Amiga naquela semana foi o cordial encontro entre Silvio Santos e Rachel Welch, o furo jornalístico do século no jornalismo brasileiro de fofocas.

Se no Brasil houvesse Prêmio Pulitzer, talvez fosse para Moisés Weltman naquele ano.

Dois dias depois, no dia do show do Beco, Rachel Welch concedeu uma entrevista coletiva no Hilton, com mais de 40 jornalistas presentes, fora um batalhão de fotógrafos.

Atuei como intérprete, mas não tive trabalho.  Ela não tinha nada para falar...

E quando naquela noite tomamos o elevador para irmos ao Beco, antes que a porta se fechasse, o gerente do andar entrou, esbaforido, para entregar a bolsa que Rachel tinha esquecido na suite, e pisou no pé dela por acidente.

Aí  ela soltou um sonoro CARAJO, para espanto de todo mundo.

Jô Raquel Tejada, codinome Rachel Welch, nasceu em Chicago, Estados Unidos, em 5 de setembro de 1940, mas é latina, de origem boliviana, prima da ex-presidente da Bolívia, Lídia Gueller Tejada.

MAURICIO KUS

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