Mauricio Kus
CELEBRIDADES EM SAIA JUSTA


Por Mauricio Kus, 03/09/2009 às 11:00

1976, Los Angeles - Tínhamos acabado de assistir - ao vivo - no Music Center Pavillon, antigo auditório da Academy of Motion Pictures Arts and Sciences, o Dorothy Chandler Pavillion, a entrega do 48º Prêmio Oscar.

Aplaudimos os vencedores, Jack Nicholson, melhor ator, aos produtores Saul Zaentz e Michael Douglas e ao diretor Milos Forman, pelo excelente filme, maior ganhador da noite, “Um estranho no ninho”. Michael Douglas, ainda desconhecido como ator, esteve pouco depois no Brasil, como produtor, para promover o filme e comandou uma exibição especial, com entrevista coletiva à imprensa, no antigo Cine Copan.

Uma das peculiaridades da entrega do Oscar é o horário em que começa o espetáculo. No Brasil, entrega de prêmio começa geralmente 21 horas no convite, mas as cortinas se abrem, por volta de 21H30 e ainda tem gente chegando.

O Oscar, em função da transmissão ao vivo por TV para todo o mundo, por questão de ajustes de fuso horários, começa impreterivelmente às 18 horas em ponto e nós, os convidados, nos reunimos as 16 horas na suíte de Tony Navarro que era o responsável pelo grupo estrangeiro. Às 17 horas saiu um séqüito de limousines rumo ao auditório (para chegar a tempo do frou frou do tapete vermelho), homens de black tye, as mulheres de longo, jóias maravilhosas emprestadas pelos mais famosos joalheiros do mundo, em pleno sol californiano.

Todos chegaram de limousine (Lincoln Continental do ano, uma frota emprestada pela Ford Motor Co., com respectivos motoristas), menos Dianne Keaton, que não estava de longo; vestia um discreto e elegante tailleur cinza e dirigia seu próprio....Fusquinha.

Na base do “gente como a gente”, cruzamos, trocamos acenos e fomos formalmente apresentados a algumas celebridades por Ricardo Montalban, que nos recebeu em nome do Comitè de Convidados Estrangeiros à cerimônia.

Destacamos, com emoção, Lee Grant, Michael Douglas, Jack Nicholson, Robert Altman, Federico Fellini, Shirley McLane, Warren Beatty, Angie Dickinson, Burt Bacharat, Ann-Margret e Maximilian Schell, e mais, muitos mais, que eu não lembro. Confesso que estava deslumbrado de emoção. Mas, a maior saia justa do Oscar ficou reservada para a saída do espetáculo. Enquanto aguardávamos a entrega da limousine (nós e mais 1.500 convidados), que saíram todos ao mesmo tempo. O nervosismo pela demora da chegada dos carros, mantinha o pessoal em estresse e se ouviam muitas reclamações. Todos tinham pressa de chegar à uma das inúmeras festas que marcavam o fim da noite da gala de entrega do Oscar. Nenhuma bronca foi tão frustrante quando a de um casal atrás de nós, que falava em italiano e ela reclamava muito. Chegou a soltar alguns palavrões na língua de Dante, enquanto o marido tentava acalmá-la. Olhei para trás, de relance. Era uma moça linda, linda, uma princesa. Alta, esguia, vestia um Givenchi com a naturalidade de uma dona de casa, que se veste para ir ao supermercado.

Audrey HepburnEra uma bonequinha de luxo, Audrey Hepburn, então casada com o médico italiano Andréa Dotti.

Anos 80, residência do Cônsul Francês em São Paulo, um confortável e sofisticado apartamento na Rua Haddock Lobo, pertinho da Av. Paulista.

O Cônsul recebia, em coquetel, um grupo de pessoas para comemorar a Semana do Cinema Francês no Brasil. Estavam lá, Jean Gabriel Albicoco, diretor francês, Maria Schnaider, a famosa protagonista de “Ultimo tango em Paris”, Póla Vartuk, critica de cinema do jornal O Estado de São Paulo, Oswaldo Massaini, eu e Sarinha, Aníbal Massaini Neto, Walter Hugo Khouri, acompanhado de Sandra Bréa, John Herbert.

Num determinado momento o garçon ofereceu uma bebida e Sandra Bréa pediu coca. Imediatamente Maria Schnaider arregalou os olhos e soltou um incontido “moi aussi” (eu também). Quando o garçon trouxe duas garrafas de Coca-Cola, La Schnaider espumou de raiva e não se conteve: “Eu queria a outra coca, aquela branquinha”.

Aeroporto de Lisboa. Embarcamos rumo a Nova York num avião da TWA (famosa companhia aérea americana, infelizmente extinta). Primeira classe – vantagem de quem trabalha em aviação: viaja sujeito a espaço e espaço sempre sobra na primeira classe, que é onde acaba a maioria dos caronas.

Época de baixa temporada, três passageiros apenas na primeira classe, eu, Sarinha e Robert Wagner, famoso ator de cinema e seriados de TV, onde interpretava o papel de Jonathan Hart.

Para ser gentil, o comandante mandou colocar um filme protagonizado por ele na tela do cinema de bordo. Meia hora depois de iniciado o filme, o aparelho pifou e por mais que a tripulação tentasse consertá-lo, não houve jeito. O filme foi interrompido e Robert Wagner, ficou o resto da viagem amuado e com cara de poucos amigos, exagerando nos pedidos de mais um uisquinho.

Anos 50, inicio de 60, o teatro de revista estava na moda. Walter Pinto trazia anualmente seu espetáculo carioca para São Paulo, com Oscarito, Grande Otelo, Virginia Lane, Beatriz Costa e grande elenco dominando o palco do Teatro Santana, hoje demolido para dar uma lugar a uma galeria que liga as Ruas 24 de Maio à Rua Barão de Itapetininga.

Havia outras companhias menos famosas, com elencos de grande gabarito e vedetes deslumbrantes que nada ficavam devendo às bailarinas argentinas e algumas francesas que Walter Pinto importava para dar um charme internacional a seus espetáculos.

Foi no Teatro Paramount, onde hoje é o Teatro Abril, que assisti – pela primeira vez – a uma cena inusitada. Foi protagonista uma vedete quarentona, muito talentosa, loira, loiríssima (talvez fruto de água oxigenada e bom tratamento capilar). Cantava, dançava, e recitava seus esquetes com muito talento, mas tinha fama de gostar de entornar um copo. Foi numa matinè. Mara Rubia entrou no palco cambaleante, se agarrou às cortinas para não cair, cantou meio número com voz pastosa e desabou. O espetáculo foi interrompido.

A segunda, cena idêntica aconteceu no Club 150, uma bela iniciativa de Roberto Makisoud, infelizmente desativada pela atual administração do Hotel Maksoud.

Era uma casa noturna no estilo americano, ambiente acolhedor, boa bebida, comidinha legal, pequenos shows e grandes atrações internacionais.

Uma noite fomos assistir ao espetáculo da Família Caimy. Quando Nana Caimy entrou em cena, me lembrei aquela matinèe do Teatro Paramount. Ela entrou cambaleando e, na falta de cortinas, se apoiou no piano, cantou meio número com voz pastosa e desabou. O espetáculo foi interrompido.

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