Mauricio Kus
CHI, LÁ VEM A CHATA DA BRIGITTE BARDOT, DE NOVO


Por Mauricio Kus, 28/02/2011 às 18:16

O carioca, na sua irreverência, não perdoou Brigitte Bardot, pelo excesso de aparições nos lugares da moda da Cidade Maravilhosa, depois de passar várias dias reclusa no apartamento de seu namorado o marroquino/carioca, Bob Zagury, no Edifício Golden Gate, na Av. Atlântica, Ela chegou no final de 1963, e ficou no Brasil até o começo de 1964.

O prédio foi imediatamente cercado por centenas de jornalistas, ávidos por fotografar o símbolo sexual do cinema, atraindo milhares de banhistas que queriam vê-la também. De vez em quanto Brigitte aparecia no balcão do apartamento, atraindo centenas de zomms em sua direção e urros dos banhistas.

Para acalmar a tensão, o sempre diplomata Oscar Ornstein, propôs uma trégua:

La Bardot daria uma coletiva no Copacabana Palace e posaria para quantas fotos os fotógrafos pedissem. Em troca, os paparazzi cariocas dariam folga para que ela curtisse a cidade.

Bob Zagury se sentiu livre para circular com ela em todos os lugares da moda, restaurantes sofisticados e passeios pelos locais mais pitorescos do Rio.

Circulou tanto durante uma semana, que corria uma piada bem no espírito de humor carioca: quando ela entrava no local, as pessoas sussurravam “Chi, lá vem a chata da Brigitte Bardot de novo”.

Pressentindo que Brigitte não era mais novidade no Rio, Bob Zagury a levou para Búzios, que então era uma pequena aldeia de pescadores e donos de barco, chamada Armação dos Búzios. Brigitte já havia colocado Saint Tropez (França) no mapa e sua presença, perseguida pela imprensa e noticia no mundo todo, fez com que Búzios fosse “descoberta”, Daí para a frente se tornou município e é um dos lugares mais sofisticados e procurados do verão brasileiro, freqüentado por brasileiros e, principalmente, europeus.

Depois disto, Brigitte voltou várias vezes ao Brasil, refugiando-se em Búzios, onde ganhou uma estatua em bronze, de tamanho natural, e a Prefeitura local criou a Orla Bardot, na Praia da Armação.

Ganhou também um terreno com a condição de construir ali uma casa, promessa que não foi cumprida.

Quando em 28 de setembro de 1934, o casal Louis Bardot, um industrial da alta burguesia francesa e sua mãe, Anne-Marie deram à luz uma linda menina na maternidade da Ile-de-France, lugar chic de Paris, não poderiam imaginar que estavam trazendo ao mundo um dos maiores símbolos sexuais de todos os tempos, a menina que com 17 anos estreou no cinema em 1952 (Lê trou normand) e dois anos depois casou-se com Roger Vadim, com quem viveu tempestuoso amor. Seu segundo filme “Manina, la fille sans voile”, com cenas picantes e biquíni irritaram seu pai, que tentou na justiça – sem sucesso – evitar que o filme fosse apresentado.”E Deus criou a mulher”, de 1956, foi o filme que a lançou para o estrelato no mundo todo, após um período morno de sucesso entre 1952 e 1957, quando chegou a atuar em 17 filmes.

Suas cenas de nudez ao lado de um jovem ator Jean Louis Trintignant a transformaram no símbolo sexual, competindo com Marilyn Monroe que reinava soberana em Hollywood.

Mas não vingou, pois os produtores achavam que era um risco colocar Brigitte Bardot num filme americano, pois além de ter um perfil muito erótico para a conservadora sociedade americana, seu sotaque e seu inglês limitado, a impediram de fazer carreira em Hollywood.



Ficou na França e um diário econômico chegou a publicar que Brigitte Bardot era mais importante para a balança comercial francesa que as exportações da indústria automobilística.

Bardot colecionou casamentos. Em 1957 se divorciou de Vadim e dois anos depois casou-se com o ator Jacques Charrier. Tiveram um filho, Nicolas-Jacques Charrier, ambos abandonados por ela.

Em 1966, casou –se com o magnata e playboy alemão Gunter Sachs, uma união que durou três anos. O quarto e atual, em 1992, foi com Bernard d’Ormale, ex-conselheiro do político francês de extrema direita, Jean-Marie Lê Pen.



Um casamento bem à feição de sua atividade política, iniciada em 1973, quando anunciou o fim da carreira, para se refugiar em La Madrague, no sul da França.

Ali fundou a Fondation Brigitte Bardot, que tem como lema defender os animais.

Tornou-se vegetariana, jogou fora todos os cosméticos e produtos de beleza de seus tempos de sex appeal, para levar uma vida dedicada à natureza. Pele curtida pelo sol, trajes sumários e atuação em várias causas, campanha contra a caça às baleias, denuncia no norte do Canadá do massacre de bebês-foca (voou para lá especialmente para protestar), Em 1995 nomeou o Dalai Lama como membro honorário de sua fundação.

Foi ativa, também, contra experiências em laboratórios com animais, pela proibição de brigas autorizadas entre cães e contra o uso de casacos de pele.



Todos estes dados positivos ruíram por terra, com declarações e atitudes anti-racistas e homofóbicas que lhe valeram vários processos na França.

E, se sua geração a amava, os jovens de hoje a olham com antipatia e até desprezo,, por suas atitudes contra os homosssexuais e os muçulmanos.

Foi condenado a pagar 5.000 euros de multas, processada por diversas entidades islâmicas por declarar que havia excesso de mesquitas no país e que deveriam ser proibidas novas casas daquele culto.

Foi processada, também por entidades em defesa das minorias, pelos insultos feitos aos homossexuais em seu livro “Scream in the Silence”.

Novo processo, desta vez em Paris, rendeu o pagamento de uma multa de 15 mil euros. Foi um processo de incitação ao racismo, em relação aos ritos muçulmanos de sacrifício de animais, durante a festa tradicional Eid-ul-Adha, realizada pelos imigrantes de paises islâmicos. Triste histórico para quem já posou para o escultor francês Alain Gourdon, para o busto de Marianne, o emblema nacional da França.

mkus@uol.com.br

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