Mauricio Kus
CELEBRIDADES À MESA


Por Mauricio Kus, 09/09/2009 às 18:48

Sexta-feira, começo da tarde, véspera de Grande Prêmio de Formula I em São Paulo. Recebo telefonema do Sr.Albert Salem, diretor da Warner para o Brasil informando que um amigo dele, entusiasta de Formula I, chega a São Paulo para ficar 48 horas. Objetivo: assistir à Corrida de Formula I, que se realizaria domingo em Interlagos. Vinha na Ponte Aérea que estava programada para chegar em Congonhas 17h. Fui encontrá-lo e como havia combinado tudo com os atendentes da Ponte Aérea, sua mala foi logo despachada e ele esperou por ela, alguns minutos, na Sala Vip.

Atendia pelo nome de Gene Hackman, um dos mais famosos atores de Hollywood,e que eu tivera o prazer de assistir no palco, na Broadway, ao lado de Glenn Close e Richard Dreyfuss, na peça “A morte e a donzela”, depois filmado por Roman Polanski e levada aos palcos brasileiros por Hector Babenko.

Levei-o para o Hilton e combinamos jantar por volta de 21 horas. Aproveitei e convidei também a atriz norte-americana Sydney Rome, uma linda loura que fez carreira no cinema italiano e estava em São Paulo promovendo um filme sobre a Formula I, que havia rodado na Itália. Chamei também o Sr. Michael Murphy, diretor para a América Latina da United Artists e sua esposa brasileira, a jornalista Miriam Alencar, um casal querido, amigos de muitos anos.

Sentamos à mesa, fomos gloriosamente bem recebidos, o casal Henry (proprietários da casa) foram de uma discrição impar e conseguimos jantar com toda privacidade e conforto, sem o assédio habitual de hoje, em que os fãs se julgam donos do que chamam “celebridades”, por 24 horas e em qualquer lugar.

Depois de pagar a conta fomos nos despedir e agradecer pelo carinho do atendimento. Aí o Sr. Henry, timidamente pediu: “Me permite ligar para o José Tavares de Miranda” avisando que vocês estiveram aqui?”.

Dois dias depois a nota foi publicada e Gene Hackman estava embarcando para Los Angeles, saindo direto do Autódromo de Interlagos para o aeroporto.

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Cliff Robertson, ganhador do Oscar pelo filme “Os dois mundos de Charlie” veio a São Paulo ajudar na promoção de lançamento do filme. Viajou com Dina Merrill, com quem era casado na época. Ambos se distinguiam pela elegância, cortesia e educação, principalmente no trato com os mais humildes, no hotel, nos restaurantes e no cinema em que fizemos uma exibição para convidados.

Foi entrevistado no talk show de Jô Soares, ainda na TV Record (1969), jantou e dançou no Terraço Itália com minha esposa Sarinha e concedeu várias entrevistas a jornalistas e críticos de cinema.

No dia seguinte, antes de sua partida, descobrimos que era seu aniversário, 43 anos. Os proprietários da Empresa Haway ofereceram um almoço num restaurante de vida efêmera que funcionava junto à entrada do cine Gazeta, de propriedade de sua empresa, na época.

O almoço foi sereno e chic, marca registrada do casal. Cliff Robertson, que recentemente participou da franquia “Homem-Aranha”, como o tio assassinado de Peter Parker, dedica-se à filantropia para mais de 50 entidades e vive numa fazenda no interior da Califórnia. É o protótipo do bommocismo em Holliwood.

Foi pessoalmente escolhido pelo presidente John Kennedy, para interpretá-lo como o tenente da Marinha dos Estados Unidos da América durante a II Guerra Mundial no filme “PT 109, de 1963.

Dina Merrill, de quem se divorciou em 1986, é filha única da herdeira e multi-milionária Marjorie Merriweather Post e de seu segundo marido Edward Francis Hutton. Pertence ao board do Lehman Brothers, banco de investimento da Wall Street e é presidente nomeada para o Conselho de Curadores do “John F. Kennedy Center” para a arte dos espetáculos.

Não teve velinhas, nem pic pic, como é politicamente correto a um casal tão classudo.

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Agora,um casal não tão classudo. Na última visita ao Brasil, quando veio para promover o filme “Frantic”, em 1988, Roman Polanski estava acompanhado de Emanuelle Seigner, com quem se casaria um ano mais tarde e vivem juntos até hoje. Assim como Cliff Robertson, Polanski foi enrevistado no talk show de Jô Soares, só que desta vez no SBT. Numa deferência toda especial, Jô Soares não levou Polanski até o estúdio e deslocou uma equipe de externa para o Maksoud Plaza, onde foi feita a entrevista. O programa era dividido em quatro blocos, uma entrevista em cada bloco. Jo ficou tão entusiasmado com Polanski, que resolveu entregar a ele o programa inteiro, que desta vez, excepcionalmente, foi ao ar com um só entrevistado nos quatro blocos. Conversaram em inglês, francês, espanhol e Jô tentou até algumas palavras em polonês. Sucesso absoluto.

Roman Polanski,Sara e Mauricio Kus

À noite, o casal Francisco e Nadir Lucas, anfitriães dos vistantes convidaram Polanski e Emanuelle para jantar no Restaurante Lê Lieu , de propriedade de Bressan, um grande amigo da classe teatral. Entre os convidados, Irene Ravache,

Edson Paes de Mello, Ruben Ewald Filho, eu, minha esposa Sarinha, Fernando de Barros, e mais não lembro.

Não é que o casal Polanski resolveu fazer brincadeirinhas? Começaram a jogar bolotas de massa de pão e pedrinhas de gelo nos convidados, e depois do arremesso faziam cara de paisagem, como se não fosse nada com eles.

Até o velho e conhecido Ronald Golias, freqüentador assíduo do restaurante, levantou para reclamar, mas nada adiantou.

Agora que anunciam a próxima visita de Roman Polanski ao país, trazido por uma entidade cultural judaica, um alerta aos anfitriães: Nos jantares em homenagem aos dois, deixem fora de seu alcance qualquer pedaço de pão ou pedrinha de gelo.

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Em 1973, chegou ao Brasil uma co-produção franco-brasileira “Joanna, a francesa”,interpretada por Jeanne Moureau no papel titulo e, ao que tudo indica, tinha como investidor de parte dos produtores da França. o famoso estilista Pierre

Cardin, amigo pessoal da genial atriz francesa.

Ficamos encarregados da divulgação do filme e, como tal, pedimos a Cacá Diegues, diretor do filme, que viesse a São Paulo participar do programa “Clube dos Artistas, de Ayrton e Lolita Rodrigues, campeão de audiência no tempo em que a TV Tupi e as Emissoras Associados mandavam na televisão brasileira.

Cacá veio acompanhado de sua namorada, à época, Nara Leão. Ayrton, entusiasmado, pediu que ela cantasse a música Joanna a francesa, de Chico Buarque e ela acedeu para ajudar Cacá na divulgação. Cantou dois números.

Terminado o programa, quando íamos saindo, famos chamados a comparecer a uma sala ao lado, onde fomos recebidos pelo produtor do programa que passou um recibo e uma quantia (não lembro o valor nem a moeda vigente na ocasião), pediu a Nara que assinasse e entregou. Este é o seu cachê. Que beleza!Cansei de ver gente implorando para receber o atrazado na TV Tupi e desta vez vi pagarem uma quantia não combinada. Era o tempo em que a Tupi ainda pagava.

Mais um lance inédito de Joanna a francesa: Jeanne Moreau foi dublada por Fernanda Montenegro. Como estávamos duros, os quatro, Cacá, Nara, eu e Sarinha, fomos jantar no Pastasciuta, um delicioso restaurante italiano, já desaparecido, perto da Av. Morumbi. E Nara...ops, Joanna a francesa pagou o jantar.

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