Mauricio Kus
JANTANDO COM UM MITO DO CINEMA: WILLIAM WYLLER


Por Mauricio Kus, 31/03/2010 às 2:49

Se o Data Folha ou o Ibope resolverem fazer uma pesquisa nas longas filas que se formam nos cinemas que exibem “Avatar”, para ver quem conhece ou ouviu falar de William Wyller, ficarão muito felizes se conseguirem cravar pelo menos um voto positivo nas pranchetas dos pesquisadores.

William Wyller, nascido em Mulhouse, então Alemanha, em 1 de julho de 1902, hoje território francês, e falecido em Los Angeles em 27 de julho de 1981, foi um dos maiores diretores do cinema americano, um colecionador de prêmios Oscar e realizador de filmes que marcaram época e são relacionados entre os maiores de todos os tempos.



Eis aí uma pequena mostra de uma filmografia que conta com 80 titulos, todos eles filmes de sucesso de público e crítica: Jezebel, O morro dos ventos uivantes, A carta, Mrs. Miniver, Os melhores anos de nossa vida, Tarde demais, A história de um detetive (Plantão 21), Ben Hur, A princesa e o plebeu, Funny Girl, Como roubar um milhão de dólares, O colecionador, Horas de desespero, A herdeira, e por aí vai.

Seus filmes eram filmes de atores e sem efeitos especiais, cujo forte eram os roteiros e tramas no enredo, em sua maioria dramáticos ou comédias românticas de alto nível.



Em 1920, ainda jovem, emigrou para os Estados Unidos em busca de um trabalho no cinema, estabelecendo-se em Nova York. Ao perceber que as oportunidades estavam na Califórnia, mudou-se em 1922 para Los Angeles, onde realizou seu primeiro filme em 1925, The Crook Buster, um longa mudo que deve ter se perdido no tempo.

Em 1928 obtém a cidadania americana.

1938 e 1939 foram anos importantes na carreira de William Wyller. Realizou Jezebel, com Bette Davis, Henri Fonda e George Brent, mas teve o azar de competir pelo Oscar com O vento levou, que levou quase todos os prêmios naquele ano, o mesmo azar que impediu O mágico de Oz que levar vários prêmios. Foi um ano de ouro para Hollywood.



Em 1939, dirigiu O morro dos ventos uivantes, com Merle Oberon, David Niven e Lawrence Olivier, um dos mais importantes clássicos da história do cinema, até hoje exibido com regularidade nos maiores cine-clubes do globo.

Infelizmente, decorridos quase 30 anos de sua morte, os filmes de William Wylller não estão mais ao alcance do público e dos cinéfilos, que ficam sem condições de tomar conhecimento de sua obra fantástica.

Um dos caminhos poderia ser a TV a cabo (paga), que eventualmente exibe clássicos do cinema, mas o critério de seus programadores é dar ênfase à porrada, violência, kung fu (já não mais um privilégio dos japoneses), e produções atuais das próprias operadoras para saciar à fome de filmes que o sistema exige, exibindo praticamente 24 horas de longas por canal.

E tome uma enxurrada de Claude Van Damme, Jackie Chan e Steven Segal, cujo maior mérito é ter sido marido da estonteante Kelly Lê Brok, uma das mais lindas mulheres já surgidas no cinema americano. Eventualmente exibem um Schwarzeneger ou Charles Bronson e com menos freqüência um Stallone, só para falar dos reis da porrada. Recorrer às locadoras não dá. Elas estão praticamente em extinção, esmagadas pelo bem administrado sistema de filmes piratas ou então pela concorrência dos internautas que baixam os filmes pela internet.



Com 80 filmes em seu curriculim, William Wyller resolveu aposentar-se em 1970, após realizar The Liberation of L.B.Jones, protagonizado por Roscoe L.Browne, Lee J.Cobb, Lee Majors, Anthony Zerbe, que relata um drama provocado pelo racismo no Tennessee.

O filme foi baseado em fatos reais e teve como partida o livro A Liberação de Lord Byron Jones, com roteiro de Jesse Hill Ford (autor do livro) e Srtiling Silliphant. Muito corajoso para a época, provocou reações violentas nos estados do sul dos Estados Unidos, sofrendo boicote para exibição em alguns deles.

Foi o último filme que realizou e o início de férias merecidas após 45 anos de atividades em Hollywood, como diretor e produtor.

Dedicou-se a viajar pelo mundo, conhecer, lugares, nova gente e novas culturas, em companhia de sua esposa, a ex-atriz Margaret Tillichet.

Um belo dia, nos anos 70, recebo um telefonema do falecido Albert Salem, à época, diretor da Warner Bros para o Brasil Ele me pedia um favor: “Mauricio chegou ao Brasil ontem a noite o diretor William Wyller, em companhia da esposa. Estão fazendo uma viagem de turismo e recreio e querem conhecer alguns lugares de São Paulo. V. pode ciceronar o casal, levá-los para jantar e fazer as honras da casa em nome da Warner?” Envolvido com grandes lançamentos, Salem não podia vir a São Paulo para recepcionar os Wyllers pessoalmente e pediu que eu e Sarinha (minha esposa) os recebessem.

Não era a primeira vez que isto acontecia. Já acompanhamos Roman Polansky, Gene Hackman e Bárbara Carrera (no retorno de Seann Connery no papel de James Bond). Salem pedir este favor? Favor, digo eu, caindo duro de alegria quando soube que iria conviver pessoalmente com o grande William Wyller, um dos meus ídolos do cinema. O casal Wyller estava hospedado no Othon Palace Hotel, onde fomos buscá-los para um dia inteiro rodando a cidade de São Paulo.

Nós os convidamos para jantar no Roof do São Paulo Hilton, com a cidade a seus pés. Ficaram encantados com a vida noturna paulistana. Para compor a mesa convidamos um casal simpático, os adoráveis Brett, Luiza e André, inteligentes, agradáveis, viajados. Luiza morou vários anos em Nov a York e André, da família que fundou a Vila Romana, é um dos experts de moda no Brasil, representando grifes como Giorgio Armani e Ermenegildo Zegna.

A meu pedido, Alexander Braune, o legendário gerente geral do Hilton solicitou ao chef Armin Jung um super jantar gastronômico, arrancando uma expresssão expontânea de Wyller: “Wunderbar. Nem em Paris ou Nova York se come tão bem como em São Paulo. Mas, apesar da comida ser o ponto forte da noite, o que valeu mesmo foi o papo gostoso e fluente com um dos cineastas mais importantes do mundo, um homem inteligente, bem humorado e cidadão do mundo.

Se alguém me pedisse para escrever um artigo para o Reader’s Digest, meu tipo inesquecível, certamente o personagem sería William Wyller.

Mais uma vez, inesquecível amigo Albert Salem: Obrigado, digo eu.

mkus@uol.com.br

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