Mauricio Kus
'HAIR' estreia em São Paulo dia 13 de janeiro


Por Mauricio Kus, 10/01/2012 às 17:27

CHARLES MOELLER E CLAUDIO BOTELHO TRAZEM NOVA MONTAGEM DE “HAIR” A SÃO PAULO

Visto por cem mil espectadores no Rio, o musical “Hair” chega a São Paulo, no Teatro Frei Caneca, onde fica em cartaz até o próximo dia 29 de abril.

"Hair" é um grande espetáculo que se tornou um mito. Estreado em abril de 1968 no Biltmore Theatre, correu o mundo, inclusive o Brasil, onde tivemos várias encenações, com nomes famosos, como Sonia Braga, Antonio Fagundes, Nuno Leal Maia, Aracy Balabanian, Armando Bogus, Ariclê Perez e Ney Latorraca.

A direção foi do falecido Ademar Guerra. Aqui estreou em outubro de 1969, após prolongadas negociação com a censura, eis que estava em pleno vigor o Ato Ai-5.
O espetáculo continua atual, moderno e vibrante, razão pela qual os produtores Charles Moeller e Claudio Botelho, resolveram reencená-lo no Brasil, ao assistirem à remontagem da diretora Diane Paulus em Nova York, em 2009.

O sucesso do Rio e o aval de cem mil espectadores deram razão à sua iniciativa.
Charles Moeller, justificando a idéia de trazer o mito “Hair” de volta ao Brasil, disse que “vendo a peça, a gente percebe como a juventude á parecida em todas as épocas. O tempo é muito curto e transitório. Por isso mesmo, “Hair” continua moderno e, mais do que isso, intenso”.



Em plena Guerra do Vietnã, o mundo conhecia as dores e as delicias de uma época sui generis: o amor livre, o rock psicodélico, a filosofia oriental, a descoberta de drogas como o LSD e o estilo de vida dos hippies. Por outro lado, assistia ao primeiro conflito internacional televisionado e se indignava com os horrores da segregação racial e sexual.

Foi neste clima que estreou “Hair”, em um pequeno teatro off-Broadway, em 1967, passando em 1968 para o circuito principal, onde se abriu para o mundo, e teve sua encenação em dezenas de países ao redor do planeta.

Moeller continua suas explicações: “Ainda vivemos em guerra e os conflitos são muito parecidos e tão assustadores e sem sentido como o do Vietnã. Da mesma forma que ainda somos cheios de tabus e vivemos na intolerância, o grito de “Hair” continua ecoando. O musical, com texto original de Gerome Ragni e James Rado, com música de Galt MacDrmot, promoveu várias rupturas. Entre as novidades, estavam a relação direta com a platéia, uma emblemática cena de nudez frontal, a ausência de cenário e de uma coreografia formal.

“Os autores estavam no lugar certo e na hora certa. Eles encenaram exatamente o que estavam vivendo, colocaram em letra e música aquilo que todos queriam falar. Não fizeram um musical, mas o manifesto de toda uma geração. Canções como “Aquarius viraram hinos até hoje, explica Claudio Botelho. Para ele, a música é um dos fatores determinantes para a empatia do espetáculo com a platéia. A comunicação imediata é garantida pela mistura de rock – a principal voz dos jovens na época – com diversas sonoridades, como a música negra, que ainda não era divulgada para as massas, mantras orientais, letras psicodélicas e influências da música tribal.


A "TRIBO” DE “HAIR"

No palco, os atores são os instrumentos responsáveis por esta comunhão com o público. Através de cenas curtas, os personagens – integrantes de uma “tribo de hippies” de Nova York – apresentam suas personalidades distintas, seus dilemas e seu peculiar estilo de vida.

O coletivo é sempre destacado em cena, ainda que a trama principal gire em torno de Claude (Hugo Bonemer), jovem convocado para a Guerra do Vietnã, seu amigo Berger (Fernando Rocha), uma espécie de líder da tribo, a grávida Jeanie (Kaira Sasso) e a idealista Sheila (Carol Puntel). “O personagem principal da peça é a tribo”, analisa Charles.

Não foi fácil escolher os 30 eleitos para compor a tribo.



Charles Moeller, Claudio Botelho, a coordenadora artística Tina Salles, a produtora de elenco Marcela Altberg, a produtora Aniela Jordan e o diretor musical Marcelo Castro, enfrentaram mais de cinco mil inscrições para os testes, um recorde absoluto.

Depois de uma primeira seleção, organizaram 700 audições, em um processo que durou três semanas. “É impressionante observa como a qualidade das audições aumentou em pouco tempo, Há sete anos, quando começamos a fazer testes,apenas 15% dos inscritos eram bons. Em “Hair”, mais de 85% foram excelentes, nunca vi nada igual. Acredito que o grande diferencial desta montagem será a força do elenco”, afirma Aniela Jordan, diretora executiva e sócia da Aventura Entretenimento.

O espetáculo não é um carbono ou Xerox da versão americana, eis que os produtores Moeller & Botelho, como é de praxe, adquirem os direitos de uma peça com total liberdade de adaptação. Por esta razão, fizeram algumas mudanças em relação ao espetáculo original, que mostrava um palco vazio e sem elementos.

A montagem atual preferiu criar uma ambientação especial para a tribo. “Tudo se passa em um local abandonado, que poderia ser uma igreja, um hospital, um casarão”, explica Charles, que optou por suavizar as referências americanas do texto.

Paulo Cesar Medeiros assina a luz da montagem. Marcelo Pies, trabalha com peças originais e acessórios de época, na composição de um legitimo figurino hippie para a tribo. Rogério Falcão é responsável por toda cenografia, cujo visual tem inspiração direta no psicodelismo.

Todos premiados e velhos companheiros da vitoriosa dupla de produtores.

O espetáculo se completa com a colaboração do coreografo Alonso Barros, brasileiro radicado em Viena há 20 anos, que assinou, no Brasil, “Sweet Charity” e “O despertar da primavera”. Os extensos números de dança mobilizam todo o elenco e dialogam com a proposta de “não-coreografia” do espetáculo original.

O trabalho de dança inclui cenas de platéia em que o elenco sobe – literalmente – pelas cadeiras e espectadores, que ainda são convidados a subir no palco na canção final, a libertadora “Let the sunshine in”.

mkus@uol.com.br



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