Mauricio Kus
CLAUDIA RAIA. DE PERNAS PRO AR. DE PÉS NO CHÃO


Por Mauricio Kus, 16/12/2009 às 18:54

Papai Noel chegou dois dias adiantado na família Motta Raia;. Em cumplicidade com a cegonha, Papai Noel entregou no dia 23 de dezembro de 1966, em Campinas, uma linda menina que ganhou o nome de Maria Claudia Marta Raia. Anos depois, o bebê  adotaria o nome artístico abreviado para Claudia Raia, a grande estrela do show business brasileiro, que todos conhecemos.

Ela nasceu predestinada para a vida artística.  Com 10 anos já era manequim do falecido costureiro Clodovil.

Com 13 anos ganhou uma bolsa de estudos para estudar ballet nos Estados Unidos e se apresentou na terra de Tio Sam e na Argentina.

Iniciou a carreira no Brasil em 1983, no espetáculo “Chorus Line”.

Dois anos depois, estréia no teatro com a peça de Gerard Lauzier, “Gatão de estimação”, direção de Cecil Thiré. O produtor do espetáculo, meu amigo Pedro Carlos Rovai, diretor de cinema, resolveu fazer uma incursão no teatro e pediu minha ajuda para realizar uma temporada da peça no Teatro Hilton, situado no hotel do qual eu era diretor de relações públicas.

Tivemos um almoço com o gerente geral do hotel, Peter Schaepe, Pedro Rovai, Claudia Raia, eu e Sarinha, minha esposa e companheira de trabalho. Fiquei conhecendo pessoalmente Claudia Raia, com quem bati longos papos e descobri a grande figura humana que ela é.

A peça fez boa temporada e Claudia colaborou intensamente na parte de divulgação e promoção do espetáculo, aparecendo na mídia, dando entrevistas na televisão e circulando socialmente por São Paulo para falar do “Gatão de estimação”.

Levamos Claudia ao Playcenter, que estava na crista da onda com a exibição da baleia Orça, um gigante marinho que fazia um show espetacular, vindo diretamente do Seaquarium, de Miami.

Claudia sentou na beira de piscina armada no parque e quando a imensa baleia se aproximou, passou o mão no seu focinho e tascou um beijo no animal para alegria dos paparazzi que a acompanharam.

A moça tinha coragem. Coragem que demonstra agora com um programa de divulgação do teatro musical, com o espetáculo “De pernas pro ar”, que está correndo todo o Brasil. Coragem de deixar seu marido Edson Celulari e os filhos Enzo e Sophia em casa, enquanto rala nos palcos das principais capitais brasileiras

Em sua rápida passagem por São Paulo, com duas semanas de apresentações no palco do Teatro Bradesco, do Shopping Bourdon, Claudia Raia mostrou que – se no palco – está de pernas pro ar, como empresária e mulher de negócios está com os pés no chão.

Claudia Raia sai das capas de Playboy, para entrar nas páginas de cadernos de economia dos jornais e revistas, como empresária e empreendedora.

“Quero levar o teatro musica para o povo, o povo que não está acostumado a ir ao teatro”, confessa num workshop realizado às cinco da tarde de uma quarta-feira no Teatro Bradesco.

Este workshop de Claudia Raia, destinado a estudantes, jornalistas, jovens atores, candidatos a diretores, autores, cenógrafos, figurinistas, músicos, compositores, só tem paralelo nas atividades do Actor’s Studio de Nova York.

Cerca de 200 pessoas assistiram ao workshop, quase em sua totalidade, gente jovem.

Claudia, inteiramente despojada, entrou no palco sentou-se em uma das seis cadeiras ali dispostas e chamou seus companheiros de trabalho, o diretor, a maestrina, a figurinista, o ator e o cenógrafo.

Com a apresentação de um pequeno documentário para cada segmento do espetáculo, Claudia conta o esforço que realizou para, fazer uma tournèe com três carretas, 25 integrantes no palco, 50 pessoas trabalhando na equipe. Estreou em Ribeirão Preto, passou por Recife, São Paulo e agora está em Porto Alegre.

O musical tem argumento de Luis Fernando Veríssimo, texto de Marcelo Sabak e direção de Cacá Carvalho, o grande costurador de todos os segmentos do trabalho, o arquiteto inspirador do resultado final que vemos ao abrir as cortinas do teatro.

Claudia, no musical é Helô, uma dona de casa, que leva uma vida comum, entediante e rotineira. Chega o dia então, em que suas pernas se revoltam e ela mostra com a dança toda a angustia e monotonia de seus dias, e desabrocha para a vida.

No workshop Claudia confessa porque se meteu nesta aventura, ousada, corajosa e inédita. “Minha preocupação foi querer fazer algo que ainda não foi feito, algo que me estimule, algo que me impulsione.

Meu objetivo sempre foi fazer as pessoas compreenderem o que é um musical da Broadfway, já que nós não temos essa cultura. E não temos por falta de oportunidade, já que o Brasil é um país essencialmente musical, e interesse da população é que não falta”.

E revela os aspectos mais ambiciosos do projeto. “Estamos trabalhando para viabilizar o projeto de levar o musical para o povo.

Estamos em tratativas de alianças com prefeituras e governos estaduais, após a temporada nos teatros, para apresentá-los em praça pública, em lugares abertos e de graça para a população carente.

No Rio de Janeiro e em Belém do Pará, já conseguimos viabilizar este projeto”.

Os 200 jovens que estiveram presentes ao workshop tiveram uma nítida idéia do que é preparar um espetáculo tão complexo quando um musical, em todas as suas nuances e detalhes, desde a concepção, confecção de figurinos, montagem de cenários e cenografia, arranjos musicais, colocação da orquestra, e principalmente, sincronização de toda esta carpintaria teatral, costurada e arquitetada pelo diretor do espetáculo, o experiente e competente Cacá Carvalho.

Um tópico especial para o Teatro Bradesco, do Shopping Bourbon. É sem dúvida, o maior, o melhor, o mais bonito e mais luxuoso teatro do Brasil. Podemos traçar um paralelo com o Metropolitan do Lincoln Center de Nova York;

Outro tópico especial para o produtor cultural Ricardo Massaini, que colaborou na divulgação do espetáculo e convocou boa parte da platéia.

Claudia Raia, volte a São Paulo, faça seu espetáculo em praça pública, leve o musical para o povo, mas por favor, faça um temporada mais longa para que todos possam vê-la e aplaudi-la (como V. merece) por sua performance no palco.

mkus@uol.com.br

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