Mauricio Kus
CELEBRIDADES E FAMOSOS TAMBÉM PISAM NA BOLA


Por Mauricio Kus, 24/08/2009 às 19:27

Nos anos 70 viajamos ao Marrocos pela British  Caledonian, a convite do Ministro do Turismo daquele país árabe, para participar um de um festival internacional de música em Marrakesh.  Eu e Sarinha convidamos o conjunto de samba "Os batucajés" e a pianista e cantora Tania Maria, que faziam sucesso na casa  noturna "Catedral do Samba", do pai da apresentadora Luciana Gimenez, mais alguns jornalistas entre eles, Lenita Miranda de Figueiredo, Lyba Fridman, Lolita Rodrigues e Alessandro Porro.

Estivemoslá uma semana assistindo as apresentações todas as noites, num majestoso anfiteatro ao ar livre, copiando uma arena grega, teatro com capacidade para 10.000 pessoas (coisa de país rico, onde jorra petroleo).

Na chegada, na alfandega, ao abrir a mala o funcionário viu uma camisa da seleção brasileira autografada por Pelé, Carlos Alberto Torres, capitão da seleção de 70 e namorado da minha amiga Tereza Sodré havia conseguido a camisa, que era para ser entregue ao Ministro de Turismo.  Este a entregaria ao Rio Hassan, para atender a um pedido do filho que era fã do futebol brasileiro.

O chefe de policia do aerosporto de Casablanca ( de onde desembarcamos para ir até Marrakesh de onibus) viu a camisa e a confiscou. Passou a mão nela, em cima da bancada, e correu para o escritórioi da alfandega. Não titubiei, corri atrás, entrei na sala e exigi a devolução da camisa. Ele trancou a camisa na gaveta da escrivaninha, apontou o dedo para meu narís e - como ele não falava inglês e eu não falava árabe, por mimica, tive a impressão de que iria conhecer as masmorras árabes, tão famosas nos filmes passados no Oriente Médio.

Eis que chega a cavalaria....O chefe do cerimonial do Ministério do Turismo chegou atrazado, se inteirou do que estava acntecendo, invadiu a sala e os dois ficando se tratando aos berrosll. Yala prá cá, yala prá lá, o diplomata foi engrossando a voz e o chefe de policia foi diminuindo o tom.  Por fim, abriu a gaveta constrangido, e devolveu a camisa, que, através do Ministério do Turismo chegou às mãos do pequeno principe.

E eu sai da sala para encontrar a Sarinha e minha turma angustiada, mas já refeitos do susto.

 

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Lolita Rodrigues

Mais Marrakesh. `Todas as noites assistiamos aos espetáculos do Festival, mas durante o dia o Ministério do Turismo organizava passeios. Viajavamos de ônibus, com um guia local que explicava - num inglês até razoavel - todos os lugares e atrações turisticas visitadas.  Em Marrakesh  fazia 40º, mas há duas horas de viagem de ônibus, havia um grupo de montanhas onde nevava e fomos fazer este passeio.

Para quebrar a monotonia, Lolita Rodrigues propôs:" Vamos cantar, turma?"  E tascou um Hava Naguila, acompanhada pelos 18 companheiros da viagem. E quando percebemos que o guia nos olhava com o olhar raivoso de um touro prestes a levar a estocada final do toureiro, deu um branco e os Batucajés salvaram a Pátria com um divertido show de sambas de breque, com direito a cuica e pandeiro a bordo.

 

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UM belo dia desembarcou no São Paulo Hilton, Telly Savallas.  Para nova geração, explicamos que Telly Savallo era uma um ator grego-americano, que, além de trabalhar em grandes filmes (Os doze condenados), era o astro  de  uma uma série de TV, "Kojac", detetive famoso por resolver os crimes, sempre com picolé na boca.

.Não sabemos qual o empresário que se dispôs a investir num concerto de Telly Savallas no audtório do Anhembi. Não sabiamos que Savallas era cantor também.  Fez-se pouca publicidade e no dia do show, apenas 80 compareceram ao auditório de 3.000 ligares.s Diga-se, de passagem, que desses 80 ingtressos, 30 foram distruidos gratuitamente a funcionários do Hilton.

O show foi bom, ele cantava bem, tinha repertório agradável, mas o ambiente estava sinistro e constrangedor, com mais gente no palcol l|(orquestra e cantor) que na platéia.

Todos aguentaram até o fim, menos um senhor elegante, muito bem vestido, que saiu de fininho no meio do espetáculo. Devia ser o consul da Grécia.

 

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Era a estréia de "Camelot",musical com Richard Harris e Vanessa Redgre  o Cine Rio Branco, que na época era muito bem frequentado, tinha projeção em 70mms., só passavam  flmes de grande sucesso, como "My fair lady" ou Oklahoma.

Havia uma pré estréia beneficente organizada pela Primeira Dama do Palácio do Governo, com 1.200 ingressos vendidos, lotação esgotada, carros do ano parando na porta do cinema,que naquela época era transivel, hoje virou entorno da cracolândia   

Eis que no meio da sesão, uma gritaria toma conta da público,gente  correndo para todos os lados, subindo nas poltronas. Antes que o tumulto tomasse conta de todos, com perigo para sua integridade fisica, as luzes se acenderam e o mistério foi desfeito.

Ao lado do cinema havia uma demolição do antigo prédio da Cia Litográfica Ypirana e, de seus entulhos algumas ratazanas acabaram invadindo o cinema, levando pânico para a platéia.

Foi o começo do fim daquele cinema, um dos muitos engolidos pela febre de construções de salas em shopping centers.

 

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O General Costa e Silva era Ministro da Guerra, já ungido próximo Presidente da Republica.  Eu era diretor de relações públicas da Braniff e naquela época, muitos altos oficiais brasileiros viajavam para Miami ou Panamá, para fazer cursos e treinamentos conjuntos com militares americanos e de vários paises da América do Sul.

Utilizavam-se da Braniff que fazia as duas rotas de destino.

Costa e Silva fez o curso e na volta, como era de protocolo, fui ao aeroporto de Viracopos para apresentar as boas vindas em nome da companhia.l  Naquele tempo Viracopos não tinha os "fingers", aquele corredor que liga a entrada da imigração e alfandega diretamente à porto do avião.   Os passageiros desembarcavam ao ar livre, caminhavam 100 metros até a entrada da imigração.  Ficamos na porta da entrada, eu, o gerente do aeroporto e dois jornalistas conhecidos mentores e propagandistas da Revolução, Mauricio Loureiro Gama e José Carlos de Moraes, o irrequieto Tito Tico, amigos pessoais do futuro Presidente da  Republica.

Este ao desembarcar, perguntou imediatamente como iam as coisas no Brasil.  E ao ser informado de que Miguel Arraes fugira da prisão e estava asilado na Argélia, deu um soco na parede e gritou alto e bom som, para espanto principalmente para os norte-americanos que estavam desembarcando: "Puta que o pariu, se eu estou no Brasil, este filho da puta não escapava.".



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