Mauricio Kus
EVITA, O MUSICAL ESTRÉIA EM SÃO PAULO COM A GRIFFE JORGE TAKLA, UMA REFERÊNCIA EM MUSICAIS.


Por Mauricio Kus, 16/03/2011 às 8:48



Evita
, a mulher, destacou-se no mundo por seus feitos públicos; de origem humilde, batalhou na carreira de atriz até tornar-se líder política do povo da Argentina. Em pouco tempo, passou de desconhecida a primeira-dama, morrendo aos 33 anos e confirmando seu status de mito. Evita, o musical, conta a fascinante trajetória dessa mulher pública, sem deixar de lado a importância de sua vida privada, sua história de amor, sua batalha pessoal.

 

Com direção geral de Jorge Takla, o musical Evita – da consagrada dupla Tim Rice e Andrew Lloyd Webber – estréia no Teatro Alfa, dia 26 de março, às 21h; é a primeira montagem da obra totalmente criada e realizada no Brasil, integralmente cantada em português, com versão de Cláudio Botelho especialmente para essa produção.

 

Estrelada por Paula Capovilla (no papel-título), Daniel Boaventura (como Juan Perón) e Fred Silveira (como Che), a superprodução conta com 45 atores e cantores no elenco, orquestra com 20 músicos, 350 figurinos de Fábio Namatame, parte deles inspirado nos trajes que Evita comprava na Maison Dior em Paris, coreografias de Tânia Nardini, cenários de Jorge Takla e Paulo Corrêa, iluminação de Ney Bonfante e regência e direção musical de Vânia Pajares. Projeções gigantes darão a real dimensão da fascinante Evita Perón e de sua época.

 

O espetáculo concebido por Jorge Takla traz, segundo o próprio, “uma leitura simplesmente humana, le­vando em conta que todos os seres humanos têm um lado de luz e outro de sombra – e como numa vela acesa, quanto maior a chama, maior a sombra”. Ele aponta as similaridades entre os personagens de Evita e do narrador, baseado em outro mito argentino, Che Guevara: “Evita e Che são, no fundo, muito parecidos. Ambos morreram muito jovens levando junto os sonhos e as esperanças de populações oprimidas e sofridas, tor­nando-se verdadeiros mitos, cada um a sua maneira, santificados e polêmicos.” O diretor pretende contar a história “sem fa­zer julgamentos políticos, mas sim contar a história de amor entre Evita e Juan Perón, dois seres humanos que um dia se encontraram para mudar a história”. Para ele, uma história “meio épica, meio conto de fadas”.

 

Evita começa em 1973 quando Tim Rice ouve em seu carro trechos de um programa de rádio sobre Eva Perón. Impressionado pela personalidade retratada, inicia uma grande pesquisa sobre ela e convence o parceiro Andrew Lloyd Webber a embarcar no projeto. Em fevereiro de 1974, Rice conhece a Argentina e os locais por onde Evita passara. Após longa preparação, criam músicas e letras para um espetáculo totalmente cantado, uma verdadeira ópera rock, como se denominava à época. Conscientes da força musical da obra e de que levariam ainda um bom tempo para levá-la ao palco, a dupla produz o álbum duplo com todas as canções. Lançado em novembro de 1976, o disco se transforma em sucesso mundial, ultrapassando na Europa e América do Sul a vendagem de Jesus Cristo Superstar, trabalho anterior de Rice & Webber. A faixa Don’t Cry For Me Argentina (interpretada por Julie Covington) alcança o primeiro lugar nas paradas de dezenas de países, sendo seguida por outro imenso sucesso, Another Suitcase in Another Hall.

 

Finalmente, em junho de 1978, a montagem original de Evita estreou em Londres, com vendas antecipadas de ingressos na casa das 500 mil libras. Recebeu os principais prêmios do teatro londrino e colocou outro sucesso no hit parade, Oh What a Circus. Em setembro de 1979, a produção estreou em Nova York com memoráveis performances de Patty LuPone e Mandy Patinkin, como Evita e Che. Sucesso extraordinário na Broadway, Evita recebeu sete dos principais Prêmios Tony.

 

Evita é uma das obras do teatro musical mais vistas e admiradas em todo o mundo. Para especialistas no gênero, Evita é o espetáculo que aprimorou à perfeição o estilo e o formato desenvolvidos por Rice & Webber, transformando-se no modelo mais próximo ao ideal para os musicais que foram produzidos a partir daí. No cinema, o musical foi dirigido por Alan Parker em 1996, com Madonna no papel-título e Antonio Banderas como Che, conquistando um imenso público de todas as idades e o Oscar de melhor canção para You Must Love Me, composta especialmente para o filme.

 

Sinopse

 

Buenos Aires, 26 de julho de 1952. Em uma sala de cinema, o filme é interrompido para uma notícia bombástica: Eva Perón, “Chefe Espiritual da Nação”, está morta, aos 33 anos. Diante da comoção dos espectadores, e do tom crítico do narrador, o Che, fica evidente o impacto da perda de Evita na vida do povo argentino. Evita é enterrada e sua história é contada e comentada por Che, em flashbacks, a partir de sua infância, na pequena Junín, onde nasceu em 1919 para sair aos 15 anos em busca de uma carreira artística em Buenos Aires. Em 1944, a então atriz conhece o coronel Juan Perón, braço forte do governo militar que controla o país. Em 13 de outubro de 1945, Perón, líder popular e ameaça ao governo do presidente Farrell, é preso. Graças a Eva, aos sindicatos e a toda classe trabalhadora, Perón é libertado em 17 de outubro de 1945. Juntos, começam uma imensa campanha, valorizando a classe trabalhadora, os operários e sindicatos. O carisma de Eva é fundamental à ascensão de Perón como candidato do povo e, depois, como presidente eleito; os descamisados se identificam com a origem dela e, portanto, confiam no projeto político dele. Eva adoece ao mesmo tempo em que o governo de Perón entra em crise. Apesar de debilitada pelo câncer, Eva ainda é importante para a reeleição de Perón, e desfila ao lado do presidente em sua posse, para alegria do povo. Pouco tempo depois, ela morre em casa, entristecendo o povo argentino, e tornando-se figura emblemática na história de seu país. E nasce o Mito Evita.

 

Os criadores

 

Jorge Takla, direção geral

Morando no Brasil desde 1977 já dirigiu mais de 70 espe­táculos, entre teatro musical e ópera. Em 1978, fundou a Takla Produções Artísticas. Assinou também inúmeros cenários, figurinos e projetos de iluminação cênica. Foi dire­tor artístico do Teatro Procópio Ferreira entre 1983 e 1992. De 2002 a 2004 foi diretor da Divisão de Teatro da CIE Brasil. Nestes 30 anos de carreira, destacam-se espetáculos como Fedra 1980, O Jardim das Cerejeiras, Agnes de Deus, Lem­branças da China, Madame Blavatsky, Lago 21, A Chorus Line, Cabaret, As Bodas de Figaro, A Gaivota, Madama Butterfly, I Pagliacci, Cavalleria Rusticana, Medeia, La Traviata, La Boheme, Master Class, Il Tabarro, Últimas Luas, Vitor ou Vitória, Candide, Mademoiselle Chanel, My Fair Lady, West Side Story e O Rei e Eu.


Tim Rice, letras

Começou a compor letras em 1965, quando sua primeira música, That's My Story, foi gravada pelo grupo de rock The Nightshift. Em seguida, conheceu o Andrew Lloyd Webber, que visava uma carreira no teatro musical. Eles se uniram e escreveram quatro musicais juntos de 1965 a 1978: The Likes of Us, Joseph and the Amazing Technicolor Dreamcoat, Jesus Christ Superstar e Evita, cuja idéia surgiu a partir de um trecho de um programa de rádio que Tim ouviu. Nos anos noventa, Tim se dedicou principalmente ao cinema, tendo escrito as letras para os filmes Aladdin (música de Alan Menken), O Rei Leão, (música de Elton John e Hans Zimmer) e para os espetáculos A Bela e a Fera (música de Alan Menken), O Rei Leão, e Aida (ambas músicas compostas por Elton John). Nesse ínterim, escreveu o texto do espetáculo teatral Sir Cliff Heathcliff (música de John Farrar), que foi apresentado no Reino Unido. Para a Dreamworks, compôs, novamente ao lado de Elton John, a trilha sonora do longa-metragem em desenho animado O Caminho para El Dorado. Recentemente, escreveu músicas para a adaptação para o cinema do clássico balé O Quebra-Nozes, baseado na partitura original de Tchaikovsky.

 

Andrew Lloyd Webber, música

Compôs seu primeiro espetáculo musical em 1965, The Likes of Us - parceria com Tim Rice, que escreveu as letras. Em 1968, Joseph and the Amazing Technicolor Dreamcoat, outra colaboração com Rice, provou seu talento, e já mostrava algumas das mais típicas facetas de seu estilo, mas foi com Jesus Christ Superstar (1971) que Webber alcançou o êxito popular, assim como o reconhecimento da crítica. Seguiram-se muitos outros trabalhos: By Jeeves, Evita, Variations, e Tell Me On A Sunday (que originou Song & Dance), Cats, Starlight Express, O Fantasma da Ópe­ra, Aspects of Love, Sunset Boulevard, Whistle Down the Wind, The Beautiful Game, The Woman in White e Love Never Dies. Compôs também a trilha sonora para os filmes Gumshoe e The Odessa File, além de sua própria versão da Missa Requiem Latina. Em 2004, produziu a versão cinematográfica de O Fantasma da Ópera, dirigida por Joel Schumacher, e, em 2006, uma versão do espetáculo em Las Vegas. O musical Love Never Dies, continuação da his­tória do Fantasma da Ópera e de Christine, estreou no Teatro Adelphi de Londres em março de 2010. A estréia de sua produção de O Mágico de Oz, em par­ceria com Tim Rice, aconteceu em março de 2011, no Teatro London Palladium, protagonizado por Danielle Hope, que foi selecionada através da série da BBC Over The Rainbow. Essa nova produção de Oz marca o retorno da dupla Tim Rice & Andrew Lloyd Webber que não trabalhava junta desde Evita.

 

O elenco

 

Paula Capovilla, como Eva Perón

Estudou Artes Cênicas na Universidade de Brasília, onde fez seu primeiro espetáculo musical, Jesus Cristo Superstar. Em São Paulo, participou de diversos musicais: Les Misérables (2001), Godspell (2002), Grease (2003), Cole Porter - Ele nunca disse que me amava (2004). Entre 2005 e 2008, fez O Fan­tasma da Ópera, no qual interpretou Madame Giry. Em seguida, o musical infantil A Bela e a Fera, como a simpática Mrs. Potts. Pelo papel de Lucy, no elogiado musical Meu Amigo, Charlie Brown, recebeu, em 2010, uma indi­cação ao prêmio FEMSA Coca-Cola de melhor atriz coadjuvante. No mesmo ano, integrou o elenco do musical Mamma Mia!, cuja história é contada através de canções da popular banda sueca Abba.

 

Daniel Boaventura, como Juan Perón

Estreou em 1991, no espetáculo musical Cinema Cantado, seguido pelo musical Zás Trás, em 1992, e O Casamento do Pequeno Burguês, de Brecht, em que cantava, atuava e tocava saxofone. Sua carreira ganhou projeção na longa temporada na­cional de Os Cafajestes, vencedor do Prêmio Sharp de melhor musical em 1995, em cartaz por cin­co anos. Depois dele, uma série de grandes projetos do teatro musical: Company, O Grande Dia, Vitor ou Vitória – ao lado de Marilia Pêra –, A Bela e a Fera, Chicago, Camila Baker e My Fair Lady, dirigido por Jorge Takla. Ganhou três vezes o Prêmio Qualidade Brasil de melhor ator. Na televisão, esteve na minissérie Hil­da Furacão (1997) e nas novelas Laços de Família (2000), Amor e Ódio (2001), Kubanacan (2003), Senhora do Destino (2004), Essas Mulheres (2005), Cama de Gato (2009) e Passione (2009). Além de seus trabalhos como ator, Daniel tem se dedicado à carreira de cantor, através dos cds Songs 4 U e Italiano, que vendeu 20 mil cópias em apenas um mês.

 

Fred Silveira, como Che

Apresentou-se nas ópe­ras A Flauta Mágica, de Mozart, O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, e também em A Cantata do Café, com música de Bach. Há dez anos dedica-se ao teatro musical, tendo participado do elenco de Os Produtores, O Fantasma da Ópera, Ah se eu fos­se Bob Fosse!, Comunità, Avenida Q e Les Misérables, vencedor na categoria de melhor espetáculo musical no Prêmio Qualidade Brasil 2001. Pelo papel de Je­sus em Godspell ganhou seu primeiro prêmio por uma performance no gênero; o Prêmio Qualidade Brasil 2002 de melhor ator em musicais. Atuou, dirigido por Jorge Takla, em My Fair Lady e West Side Story, como Tony, papel que lhe rendeu outra indicação ao Prêmio Qualidade Brasil, em 2008. Foi indicado em 2010 como melhor ator coadjuvante ao prêmio FE­MSA Coca-Cola pelo personagem Snoopy do musical Meu Amigo, Charlie Brown.

 

Alessandra Verney, como Eva Perón (alternante)

A soprano lírico Alessandra Verney estreou em musicais no Rio de Janeiro, no espetáculo O Abre Alas, dirigido por Charles Möeller e Claudio Botelho. Trabalhou ao lado da dupla nas montagens de Cole Porter – Ele Nunca Disse Que Me Amava, Tudo é Jazz!, Cristal Bacharach, Ópera do Ma­landro – Em Concerto e 7 – O Musical. Com Jorge Fernando, protagonizou a comédia musical Aqui se Faz, Aqui se Paga. No musical Império, com Miguel Falabella, interpretou a personagem Noêmia, amante de Dom Pedro I. Sua experiência na televisão inclui participações na minissérie Chiquinha Gonzaga e nas novelas Laços de Família e América. No cinema, es­treou num dos principais papéis de Apolônio Brasil – Campeão da Alegria, de Hugo Carvana.

 

 



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