Mauricio Kus
SUPERPRODUÇÃO BRASILEIRA DE ‘UM VIOLINISTA NO TELHADO’ CHEGA A SÃO PAULO EM MARÇO ESTRELADA POR JOSÉ MAYER


Por Mauricio Kus, 08/03/2012 às 6:15

SUPERPRODUÇÃO BRASILEIRA DE ‘UM VIOLINISTA NO TELHADO’

CHEGA A SÃO PAULO EM MARÇO ESTRELADA POR JOSÉ MAYER

 

O título da mais nova produção musical de Charles Möeller e Claudio Botelho, ‘Um Violinista no Telhado’, é também a expressão que melhor define a vida de seu protagonista. Pai de cinco filhas, o rústico Tevye é o leiteiro de um vilarejo judeu encravado na Rússia Czarista.  Sempre em conflito para sobreviver e honrar as tradições religiosas, ele enfrenta problemas tanto dentro – as filhas se rebelam contra os casamentos arranjados – quanto fora de casa, em uma época que ataques russos (os chamados pogroms) expulsariam milhões de judeus da região.

 

Baseado nos tradicionais contos judaicos de Sholom Aleichem, ‘Um Violinista no Telhado’ estreou na Broadway em 1964, com música de Jerry Bock e Sheldon Harnick e uma celebrada coreografia de Jerome Robbins. Tornou-se imediatamente um clássico, sendo o primeiro musical da história do teatro americano a ficar em cartaz por mais de sete anos. Quase meio século depois, o musical ganhou nova versão brasileira, em cartaz a partir de 16 de março, no Teatro Alfa, depois de uma bem-sucedida temporada carioca. Fruto de uma parceria entre a Aventura Entretenimento e a Conteúdo Teatral, a superprodução reúne elenco de 43 atores liderado por José Mayer, que fez sua estreia no teatro musical.

 

Embalados pelo recente sucesso de ‘Hair’ e ‘Gypsy’ em 2010, Möeller, Botelho e a Aventura aforam convidados pela produtora paulista Conteúdo Teatral para apostar neste clássico do teatro musical americano. O projeto já é avaliado como a maior produção realizada pelo grupo. Além do numeroso elenco, o espetáculo reúne 17 músicos regidos pelo maestro Marcelo Castro, cerca de 160 figurinos assinados por Marcelo Pies – que acaba de ganhar o Prêmio Shell por ‘Hair’ –, nove trocas de cenário, a cargo de Rogério Falcão, e a recriação coreográfica original de Jerome Robbins, feita por Janice Botelho. A grandiosidade é apenas um dos desafios encontrados ao se montar este que é considerado o ‘Rei Lear’ dos musicais.

 

Além da complexidade de produção, a célebre peça de Shakespeare também encontra

paralelos no enredo de ‘Um Violinista no Telhado’. Assim como Lear, Tevye (José Mayer) entra em conflito com três filhas, Tzeitel (Rachel Rennhack), Hodel (Malu Rodrigues/Karina Mathias) e Chava (Julia Fajardo), que desafiam a tradição judaica, ao rejeitar os casamentos arranjados e adotar comportamentos que desviam do estabelecido. Ao lado da esposa Golda, vivida por Soraya Ravenle, ele tenta dar conta dos conflitos familiares enquanto enfrenta a hostilidade de grupos russos orientados pelas diretrizes anti-semitas do Czar.

 

O Grupo Bradesco Seguros é o principal patrocinador do espetáculo ‘Um Violinista no Telhado’. A iniciativa faz parte do Circuito Cultural Bradesco Seguros, que apresenta todos os anos um calendário diversificado de eventos artísticos com peças de grande sucesso, musicais, concertos de música e exposições. O espetáculo conta também com importante patrocínio da CSN (Cia Siderúrgica Nacional), que vem atuando firmemente como incentivadora de projetos culturais, esportivos e educacionais.

 

O desafio de Mayer

 

Sem nunca perder a leveza – como um violinista –, Tevye lida à sua maneira com estes conflitos. Entre bem-humoradas conversas com Deus e com a esposa, ele busca conciliar as tradições ancestrais com a realidade de suas filhas e do local onde vive. Prova de fogo para qualquer ator, o personagem exige um intérprete carismático, que equilibre técnica vocal e comunicação com a plateia. Charles Möeller e Claudio Botelho logo pensaram em José Mayer para o desafio.

 

O ator, por sua vez, já acalentava o sonho de fazer um musical há pelo menos três anos, quando começou a freqüentar aulas de canto com regularidade. Em seu último trabalho nos palcos, ‘Um Boêmio no Céu’ (2007), Mayer já entoava algumas canções de Catulo da Paixão Cearense. Agora ele encanta a platéia com números famosos, como ‘If I Were a Rich Man’ (‘Se eu fosse Rico’), que fizeram a fama de vários intérpretes mundo afora.

 

Como o Tevye original na Broadway, o grande comediante Zero Mostel recebeu o Tony de Melhor Ator de Musical. Em recente remontagem, novamente na Broadway, o musical teve Alfred Molina como Tevye, o que rendeu ao ator uma indicação ao prêmio Tony de Melhor Ator em 2004.

 

Claudio Botelho, autor da versão brasileira e supervisor musical desta montagem, confirma que ‘o papel de Tevye exige uma das maiores entregas vocais de personagens masculinos entre os musicais da Broadway. As canções dele se alternam entre temas judaicos suaves e bem-humorados (‘If I Were a Rich Man’), passando por fortes e dramáticos solilóquios e chegando ao extremo lirismo num emocionante dueto com a esposa Golda (‘Do you Love me?’). Se há mesmo um Rei Lear entre os papeis masculinos dentro do teatro musical, este é Tevye’.

 

Ao lado de Mayer, a veteraníssima de musicais Soraya Ravenle também se preparou para uma estreia: ‘Um Violinista no Telhado’ é seu primeiro musical internacional. Estrela de sucessos brasileiros como ‘Ópera do Malandro’ (2003), ‘Sassaricando’ (2007), ‘Dolores’ (1999) e ‘South American Way’ (2001), ela realiza seu primeiro trabalho interpretando versões em português para os grandes momentos cantados de seu personagem, ‘Do you Love Me?’ e ‘Sunrise, Sunset’.

 

Paz, amor e tradição

 

Mayer e Ravenle, ou melhor, Tevye e Golda, vivem em Anatevka, uma fictícia aldeia judaica no interior da Rússia no início do século passado. Em seu entorno, habitam moradores típicos, como o rabino (Silvio Boraks), a casamenteira (Ada Chaseliov), o açougueiro (Sylvio Zilber), o mendigo (Léo Wainer) e o forasteiro (Nicola Lama), que chega para modificar alguns costumes seculares destes personagens. Entre rezas e festas tradicionais, celebrações de shabat e de casamentos, a trama de ‘Um Violinista no Telhado’ se desenrola e serve de vitrine para os costumes judaicos.

 

‘É muito interessante abordar o universo dos judeus bem antes do nazismo, quando já era um povo expatriado. O que os mantém juntos é a tradição. Eles poderiam ter desaparecido, mas não aconteceu por causa, fundamentalmente, de um amor maior à família, à tradição e aos rituais. É muito bonito falar disso depois de um espetáculo que é um ritual, como o ‘Hair’’, analisa Charles Möeller.

 

Assim como em todos os últimos espetáculos de Möeller e Botelho, o elenco foi escolhido por testes, em concorridas audições cuja variedade de papeis – e inscritos – chamava a atenção. ‘É com certeza o nosso maior e mais variado elenco. Ele vai, literalmente dos 8 aos 80 anos’, conta Möeller.

 

Dando vida a Anatevka

 

A aparente harmonia em que vive todo o povo de Anatevka oculta um cenário externo nada amistoso. Era a época dos conhecidos Pogroms, ataques em massa com clara finalidade de expulsão de judeus do território russo. ‘Não procurei tratar os russos como vilões, nem como mocinhos, não queria idealizar nada. O fato é que existia uma polícia secreta russa, que insuflava os ataques. O pogrom era incitado pela polícia, mas não era feito por ela. O povo judeu era uma espécie de bode expiatório para a população miserável não olhar para a riqueza do Czar’, analisa Möeller.

 

Anatevka funciona como um arquétipo de todas as pequenas aldeias judaicas da Europa

Central no início do século passado. Para representá-la, o cenógrafo Rogério Falcão (‘A Noviça Rebelde’, ‘O Despertar da Primavera’, ‘Hair’) criou uma estrutura básica, em tom de madeira, com as casas da aldeia nas laterais, que saem de cena quando a ação se transfere para o interior.

 

‘Como o elenco é muito numeroso, tivemos a preocupação em deixar um bom espaço livre para a circulação dos atores e para as coreografias’, conta Rogério. Assim como ele, o figurinista Marcelo Pies precisou aumentar sua equipe para confeccionar os 160 figurinos de época, ricos em detalhes e com um elaborado trabalho de envelhecimento.

 

A cena tem discreta inspiração em ‘A Noiva Cadáver’, de Tim Burton, e traz os atores com figurinos de mortos-vivos e máscaras produzidas especialmente para a montagem. A iluminação de Paulo César Medeiros e o visagismo, a cargo de Beto Carramanhos (‘7 – O Musical’, ‘Gypsy’) completam o clima fantasmagórico do momento.

 

Décadas de sucesso

 

Toda a equipe criativa do musical contou com a consultoria de especialistas em cultura judaica, para não deixar nenhum detalhe escapar. Rogério chegou a ter que projetar novamente alguns elementos cenográficos para garantir a fidelidade ao universo ali retratado.

 

O elenco participou, inclusive, de um workshop em que palestrantes como Michel Gherman, mestre em História Judaica pela Universidade Hebraica de Jerusalém, e o ator e pesquisador Claudio Erlichman deram um panorama histórico e mostraram toda a relevância que a obra possui dentro e fora da comunidade judaica, e o produtor Isser Korik, da Conteúdo Teatral, discorreu sobre o significado religioso de cada costume judaico retratado no espetáculo.

 

Considerado um dos grandes clássicos da Broadway, ‘Um Violinista no Telhado’ tem uma

longeva trajetória ao redor do mundo. Na época de sua estreia, em 1964, bateu todos os

recordes de permanência, ficou quase oito anos em cartaz e arrebatou dez indicações ao Tony, vencendo em nove categorias. A montagem londrina de 1967 viria a consagrar o ator israelense Chaim Topol como Tevye, personagem que ele viveu também no filme (‘Fiddler on the Roof’, 1971) e até hoje segue em turnê pelos Estados Unidos. No mesmo ano de lançamento do longa-metragem, estreou a primeira versão brasileira do musical, protagonizada por Oswaldo Loureiro e Ida Gomes.

 

Aventura Entretenimento

 

‘Um Violinista no Telhado’ marca o terceiro aniversário da Aventura Entretenimento, produtora responsável por uma série de bem-sucedidas montagens que atestam a maturidade do teatro musical brasileiro. Espetáculos como ‘A Noviça Rebelde’, ‘Gypsy’, ‘O Despertar da Primavera’, ‘Hair’, ‘7 – O Musical’ e ‘Beatles Num Céu de Diamantes’ levaram mais de um milhão de espectadores ao teatro, em 1500 apresentações.

 

‘A Aventura está muito feliz em fazer parte e também ter sua parcela de responsabilidade

para este momento do teatro musical brasileiro. ‘Um Violinista no Telhado’ é um marco no

que se refere a qualidade da produção, elenco e técnicos’, analisa Aniela Jordan, diretora da Aventura. ‘A exuberância criativa dos artistas (atores, diretores, iluminadores, cenógrafos etc) brasileiros associada ao crescente interesse de empresas na área de entretenimento vem transformando o segmento de musicais no país em um importante pólo de produção no cenário internacional. Hoje, o Brasil já é o terceiro maior produtor de espetáculos no mundo e, obviamente, é um privilégio que a Aventura seja uma das locomotivas deste processo’, comenta Luiz Calainho, um dos sócios da empresa.

 

A produtora investe em linguagens variadas dentro do musical, privilegiando espetáculos autorais (‘7 – O Musical’), contemporâneos (‘O Despertar da Primavera’) e infantis (‘Charlie e Lola’, integrante do selo Aventurinha). Entre os feitos da Aventura, está ainda o

celebrado ‘Beatles Num Céu de Diamantes’, sucesso absoluto de público em várias temporadas, com direito a apresentações em Lyon, na França.

 

Se hoje o mercado de musicais no Brasil é comparado aos principais centros produtores do mundo, como a Broadway em NY e West End em Londres, a Aventura Entretenimento, empresa dos sócios Aniela Jordan, Charles Moeller, Claudio Botelho e Luiz Calainho, teve contribuição fundamental para esta conquista. Investindo no conteúdo, capacitando talentos ou desenvolvendo projetos especiais aos patrocinadores, a Aventura foi decisiva para a conquista do Brasil como o terceiro maior produtor de musicais do mundo.

 

Conteúdo Teatral

 

O grupo empresarial paulista Conteúdo Teatral atua há mais de dez anos em duas vertentes: gestão de salas de espaços e produção de espetáculos. Como gestora é responsável pela operação do Teatro Folha, situado no Shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo, e pelo Teatro Amil, no Parque D. Pedro Shopping, em Campinas. Como produtora de espetáculos já produziu dezenas de peças voltadas ao público infantil e adulto, além de projetos de humor e mostras. ‘Um Violinista no Telhado’ é sua primeira incursão no universo dos musicais.

 

‘Nosso envolvimento com ‘Um Violinista no Telhado’ é antigo e profundo, sob medida para nos encorajar a realizar nosso primeiro grande musical. Como a Conteúdo tem por filosofia trabalhar sempre em parceria, encontramos em Moeller & Botelho e na Aventura, os parceiros ideais para uma empreitada dessa envergadura’, revela Isser Korik, diretor artístico da Conteúdo Teatral.

 



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