Mauricio Kus
TRAPALHADAS DOS TRAPALHÕES


Por Mauricio Kus, 13/11/2009 às 14:23

TRAPALHADAS DOS TRAPALHÕES

 

Todos os grandes artistas humoristas e comediantes,  que atuaram em duplas, trios ou quartetos, tiveram seus dias de glória, sucesso, alegrias e também muita briga interna, choque de egos, liderança contestada e acabaram se dissolvendo, principalmente quando a morte se abatia sobre um deles. Foi assim com Jerry Lewis/Dean Martin, Bud Abbout /Lou Costelo, Bob Hope/Bing Crosby/.Dorothy Lamour, os Irmãos Marx, Os Três Patêtas, e no Brasil, com os Trapalhões.

Quando completou 30 anos de exibição na TV, o programa entrou pra o Livro Guiness de Recordes Mundiais como o programa humorístico de maior duração na telinha.  Teve vários nomes e o único remanescente do grupo inicial, que até hoje comanda as aventuras do grupo, no cinema e na televisão, é Renato Aragão, que sempre foi o líder, com ascendência de mando sobre os demais humoristas que faziam escada para seus números de sucesso.

O programa começou em 1966 na extinta TV Excelsior com o titulo: Adoráveis trapalhões. Tinha quatro integrantes, o galã Wanderley Cardoso, o diplomata Ivon Cury, o estourado Ted Boy Marino (um argentino que participou de várias novelas e era lutador de luta livre) e o palhaço Renato Aragão, que imortalizou o personagem Didi Mocó, e em algumas participações Dedê, sobrinho do famoso produtor e ator de teatro de revistas Colé Santana.

Houve trocas e com a entrada do sambista participante dos Originais do Samba, Antonio Carlos Bernardo Gomes, o Mussum e de Mauro Faccio Gonçalves o Zacarias, o grupo de consolidou e partiu para novas aventuras.

Foram para a TV Record, onde o programa ganhou o nome de Os insaciáveis, que Renato Aragão trocou por Os Trapalhões assim que foram cooptados pela TV Record.. Competiam com o Fantástico no horário e sempre ganhavam no Ibope, o que não impedia a Record de sofrer graves problemas financeiros.  Em 1977 foram para a Globo onde estouraram como o maior programa humorístico já apresentado na televisão brasileira.

Passaram por várias mudanças de formato, recebiam atores convidados, porém a espinha dorsal do programa era mesmo os quatro integrantes.  Com Adriano Stuart o programa ganhou feição infanto-juvenil, foi ao Festival de Berlim e até os mais críticos passaram a levar as peripécias de  Renato Aragão e sua troupe, à sério.

Hoje Renato Aragão é representante oficial da UNICEF no Brasil e comanda anualmente o programa Criança Esperança, projeto social da Rede Globo que mobiliza o Brasil inteiro.  Tudo começou quando, ao completar 15 anos no ar, a Globo lançou um programa de oito horas de duração, com onze quadros e uma campanha em favor dos deficientes físicos.

Na comemoração dos 20 anos de carreira, foi lançado o Criança Esperança, com 9 horas de transmissão, que nunca mais saiu da grade de programação da Globo.

A dissolução do grupo começou com o falecimento de Zacarias em março de 1990. Depois, em julho de 1994, faleceu Mussum e o grupo foi desfeito.  . Entre 1994 e 2000 a Globo exibiu reprises dos antigos programas.

O primeiro filme dos Trapalhões foi realizado em 1965 e tinha apenas a dupla Didi e Dedé. Com a participação de Musum e Zacarias foram realizados 23 filmes, entre 1978 e 1990.  Calcula-se que mais de 180 milhões de pessoas já assistiram a filmes dos Trapalhões.

O sucesso no cinema se devia em parte à boa escolha de diretores por parte de Renato Aragão, produtor da franquia, mas sempre esbarrava no problema de orçamento.  Queria fazer filmes de pouco investimento, ciente de que sua simples presença à frente do elenco, bastava para atrair o público.  Com isto a parte técnica, cuidados artísticos nunca tinham prioridade e J.B. Tanko, o diretor que melhor segurou a barra dos filmes largou o grupo quando viu que não dava para melhorar a qualidade dos filmes. A partir daí vários diretores dirigiram os filmes da série, inclusive o próprio Renato Aragão.

Na saída de Tanko, para justificar que tinha razão em manter o padrão dos filmes como estavam,,alegou uma verdade inconteste (?): na lista de filmes mais vistos do cinema brasileiro, sete protagonizados pelos Trapalhões,  estão na lista dos dez mais.

Trabalhei com os Trapalhões, cuidando da promoção de seis filmes e me retirei acompanhando a atitude de J.B,Tanko, que foi quem me apresentou ao grupo.

Cineasta europeu de renome, um iugoslavo que veio ao Rio de Janeiro para fugir das confusões políticas de seu país, dividido em sangrentas guerras civis.

Conheci Tanko quando dirigiu para a Hebert Richers Produções uma comédia com Agnaldo Rayol (começando a carreira de cantor e ator) e Nelly Martins, uma graciosa estrelinha que passou pelo cinema como um cometa, sua carreira não deslanchou.

Agnaldo morava numa kitchnete de solteiro na Av.Ipiranga com Av.Casper Libero, um lindo prédio projetado por Niemayer.  Quando atingiu a fama comprou uma chácara em Itapecerica da Serra. Passamos lá, eu com minha família, deliciosos domingos com direito a piscina e churrascada.

É um dos artistas mais educados e gentis do show business brasileiro, um autentico cavalheiro e, com Cauby Peixoto, as melhores vozes masculinas do país.

Em 1983 houve crise entre o grupo.   Dedé,Mussum e Zacarias se separaram e resolveram fundar uma empresa com iniciais de seu nome, a DeMuZa, e convidaram J.B.Tanko para dirigir o primeiro filme da empresa Atrapalhando a Suate.  Primeiro e último. O público não aceitou o filme sem o carisma de Renato Aragão, mesmo tendo no elenco Regina Duarte e Lucinha Lins.

Aragão sempre foi acusado de não ajudar as famílias de seus antigos companheiros.  Em 1998, alegando passar fome a família de Mussum entrou na Justiça em busca dos direitos de imagem do artista.   Aragão alegou que nunca deixou de cumprir com suas obrigações contratuais.

A família de Zacarias entrou em ação contra a Globo em 1998, pedindo direitos autorais e do artista pelas retransmissões do programa Os Trapalhões entre 1995 e 1998. Segundo seu contrato, Zacarias teria de receber da Globo 10% do que lhe foi pago no mesmo tempo de trabalho.  A Globo alega que cumpriu o contrato e a ação já está em autalizados R$120 milhões e com a “velocidade” da justiça brasileira não se sabe quando este drama termina..

Atacado por parceiros e colegas, Renato Aragão tem uma virtude louvável: a cada pré estréia de seus filmes, faz uma sessão extra para crianças carentes de escolas públicas de bairros distantes, consegue ônibus com as autoridades municipais e proporciona um espetáculo que normalmente não estaria ao alcance de seu reduzido orçamento familiar.

Antes do filme, ele e Dedê faziam alguns números de circo, peripécias e piadas que levavam a criançada ao delírio.

Mas poucos sabiam o trabalho que gente tinha ao: se aventurar nas escolas de periferia, principalmente do Rio de Janeiro, organizar com as professoras como levar seus alunos para o cinema e conseguir dos prefeitos ou de empresas particulares, ônibus para transportá-los até o cinema.

Em São Paulo as sessões eram no cine Rio Branco e no Rio de Janeiro no Cine Vitória.

Não sei se, na estréia dos filmes atuais, ainda existe esta colher de chá para crianças carentes de escolas públicas......

 

 

mkus@uiol.com.br

 



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