Mauricio Kus
OO7 ALBERT BROCCOLI, O 007 COM LICENÇA PARA MATAR RECORDES DE BILHETERIA


Por Mauricio Kus, 21/10/2009 às 10:13

OO7 ALBERT BROCCOLI, O 007 COM LICENÇA PARA MATAR RECORDES DE BILHETERIA

 

Quem pensa que os filmes de James Bond, o agente 007, que ficou famoso com o bordão “Meu nome é Bond, James Bond”, um verdadeiro ícone britânico, são filmes ingleses, estão absolutamente enganados.  A franquia, baseada em livros de bolso do escritor britânico, Ian Fleming, que narra as aventuras do agente do Serviço Secreto de Sua Majestade, o MI-16, e tem licença para matar, deu origem a vinte e dois filmes, desde 1962, quando estreou “Dr; No”, lançando para o estrelato a estonteante atriz suíça Ursula Andress, e imortalizando Seann Connery no papel titulo.

Destes, 17 são oficiais, baseados nos livros de Iann Fleming.

Outros filmes são cópias, adaptados por escritores que seguiram o roteiro de Ian Fleming, tomando o cuidado de não violar a lei do direito autoral. 

Roger MooreA série James Bond, com Seann Connery e os outros 007 que o seguiram, George Lazenby,Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan, e atualmente Daniel Craig, foi produzida pelos estúdios da United Artists até a sua falência, após tentar uma fusão com a Metro Goldwyn Mayer, que não deu certo, pois as duas companhias foram à bancarrota..

O detentor dos direitos é um americano de nome ítalo-americano, Albert Rômulo “Cubby” Broccoly, nascido em Long Island em 1909 e falecido em Beverly Hills, em junho de 1996. Com a sua morte, a filha Bárbara Broccoli e seu meio irmão, Michael G.Wilson produzem os filmes da franquia.

Broccoli produziu em 1968 um filme baseado num livro que não tinha nada a ver com o agente secreto.  “Chitty Chitty Bang Bang”, com o selo da United Artists/ MGM, estrelado pelo ator Dick Van Dyke,      É uma divertida comédia musical que até hoje encanta adultos e crianças, que retiram suas cópias das locadoras.

Broccoli, nunca foi reverenciado na Inglaterra, que concedeu o titulo de Sir a Seann Connery, apesar do grande ator ser um militante ativo da batalha pela independência da Escócia do Reino Unido, e morar com sua esposa  franco-tunisiana, Michelline Roquebrune, em Nassau, nas Bahamas.

Para receber o titulo de Sir, pediu que a cerimônia fosse realizada na Escócia, à qual compareceu com traje típico escocês, um kilt de caça do clã Mac Lean.

Mas, os Estados Unidos reconheceram a importância do produtor Albert Brocccoli para a sua cinematografia.  Ele tem uma estrela com seu nome na Calçada da Fama de Hollywood e recebeu o Prêmio Irving Thalberg da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles por sua carreira no cinema.

Mas qual é a ironia da série de filmes serem americanos, produzidas por um estúdio de Hollywood e  habitualmente só terem atores ingleses no elenco?

Não precisa ser um 007 para matar esta charada.  Basta ser um cara vivo como foi Albert Broccoli, que antes de produzir seus próprios filmes foi assistente de produção dos filmes produzidos pelo milionário Howard Hughes, depois assistente de direção, agente de artistas, diretor e produtor.

Seann ConneryFoi nesta função que descobriu o “ovo de Colombo”.   Então, mudou-se para a Inglaterra nos anos 1950, aproveitando o incentivo financeiro que o governo inglês dava na época para filmes produzidos na Inglaterra, com atores ingleses.

E como dizem os locutores esportivos, associou-se a Harry Saltzman, comprou os direitos de filmagem dos livros de Ian Fleming, e partiram para o abraço.

Broccoli descobriu Seann Connery para sua primeira aventura e escolheu pessoamente quatro dos atores que o substituíram: George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton e Pierce Brosnan.

Broccoli amava o Brasil, vinha para cá de dois em dois anos, a cada lançamento de mais um filme da série.  Trazia consigo um ou dois atores, mais quatro ou cinco belas Bond Girls, escolhidas a dedo para subir ao palco em exibições de pré estréia para imprensa e convidados especiais, formadores de opinião.

Seann Connery esteve há 24 horas de desembarcar no Aeroporto do Galeão, mas cancelou a viagem  praticamente na porta do avião, no portão de embarque do Aeroporto de Gatwick, na Inglaterra. 

Como todo bom escocês ama jogar golf.  Tinha, em companhia de alguns atores amigos, uma equipe de golf, que realizava anualmente, torneios abertos internacionais beneficentes, preferencialmente em paises africanos pobres.

A renda revertida pelos torneio era destinada para a compra de cadeira de roda para cidadãos carentes dos paises onde as partidas se realizava.  Como o torneio era aberto, vinham golfistas de todo o mundo, além da grande atração, Connery e alguns astros do cinema inglês.

O texano James Phillips, gerente geral da British Caledonian no Brasil, conseguiu convencer a equipe a fazer um torneio em nosso pais, no Gávea Golf Club, no Rio de Janeiro.  A British Caledonian atuou vários anos no Brasil, tendo comprado a  BUA, British United Airways, que fazia esta rota.  Depois, um acordo governamental, dividiu as linhas inglesas e a Caledonian ficou com o mercado africano, enquanto a British Airways assumiu as linhas sul-americanas, onde estão até hoje.

Fui gerente de relações públicas das três companhias e Phillips me incumbiu de fazer a ligação com o grupo. Cheguei a falar por telefone com Seann Connery uma vez e estava tudo certo e sacramentado.

As negociações com o Gávea Golf Club foram demoradas e minuciosas, pois golfistas de renome do mundo inteiro, fizeram a inscrição (caríssima) e tinham passagem marcada para o Brasil.  O torneio ia durar, como durou, uma semana.

Na véspera, recebemos um telex: tudo ok.  Avisamos a imprensa e rumamos de madrugada para o Galeão. Com o fuso horário, o avião chegava às 5,30 da madrugada.

Ao chegar no Galeão, deu um frio na barriga. O gerente do aeroporto me mostrou o telex, enviado pelo pessoal de Gatwik. A equipe embarcou, mas Seann Connery, duas horas antes do embarque foi avisado pelo produtor do filme que teriam que fazer uma refilmagem de duas cenas e seu adiamento em uma semana, acarretaria centenas de milhares de dolares de prejuízo para a produção, sem contar que a equipe técnica e outros protagonistas passariam uma semana de braços cruzados a espera de sua volta.  Não teve outra solução, cancelou a viagem, contrariado.

Em seu lugar veio Stanley Baker, ator famoso na Inglaterra, pouco conhecido no Brasil, mas um dos principais atores do épico de guerra “Os canhões de Navarrone”  Teve seu brilho, mas não era Seann Connery.

Faleceu muito jovem, aos 39 anos de câncer, na Ilha de Malta.

Enfrentei vários repórteres e fotógrafos que madrugaram para entrevistar o ator e o pior de tudo é que a banca de jornais do aeroporto expunha a revista “Fatos & Fotos”, da Bloch Editores, com a foto de Seann Connery na capa e a chamada “007 no Brasil”.

Broccoli ficou muito triste com a situação, porque, além de reter o ator em Londres, amava o Brasil e foi um dos artífices para que ele topasse levar o torneio de golf para o Rio de Janeiro.

Depois, produziu um dos filmes no Brasil.  Tinha alguma falta de conhecimento de geografia, como James Bond perseguindo o bandido de lancha, partindo das Cataratas de Iguaçu, e terminando no Amazonas.  Mas isto é desculpável, principalmente porque Roger Moore e equipe passaram um mês no Rio de Janeiro e deixaram uma grana preta, abrindo emprego para muita gente, apesar de inflacionar o mercado, porque depois, os técnicos brasileiros queriam receber o mesmo que os gringos pagavam, deixando alucinados os produtores de filmes nacionais.

Em 1983, a Warner resolveu  promover a volta de Seann Connery ao papel de James Bond. Teve como companheira Bárbara Carrera, atriz nicaragüense, fluente em inglês, francês, espanhol, italiano, uma ativista pelos direitos humanos em seu país, nomeada embaixadora itinerante pelo Presidente Arnoldo Aleman.

Bárbara Carrera esteve em São Paulo para promover o filme e, nesta época a Warner já era minha cliente e, novamente, Seann Connery entrou em nossa vida.

Hospedamos Bárbara Carrera e o finado diretor para o Brasil da Warner, Albert Salem no Maksoud Plaza, onde o relações do hotel, o eficiente profissional Ovadia Saadia, organizou um encontro com a imprensa numa sala VIP.

 Reunimos os críticos em um simpático restaurante, o Pierre & Rosaná, nas imediações da Av. Faria Lima, onde discutiram o filme.

À noite houve uma pré estréia no cinema do Maksoud Plaza, Bárbara Carrera subiu ao palco, disse algumas palavras, distribuiu simpatia,  e após a exibição  recolheu-se à sua suíte, para viajar à Nicarágua na manhã seguinte.

O filme não rendeu boa bilheteria,pois o público já havia se desligado de  Connery com o personagem, apesar de que até hoje todos o consideram o melhor 007 que o cinema produziu.

Como disse, Broccoli amava o Brasil e vinha para nosso país a cada dois anos, no lançamento dos filmes da franquia. Trazia alguns atores e várias Bond Girls. Mas isto são outras histórias, algumas muito hilárias, que serão objeto da próxima crônica.

Até lá.

 

mkus@uol.com.br



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