Mauricio Kus
O MAIOR PAPEL DE YUL BRYNNER FOI NA VIDA REAL: MORREU COM MUITA DIGNIDADE E DEIXOU UM LEGADO PARA A HUMANIDADE


Por Mauricio Kus, 03/02/2010 às 21:2

O MAIOR PAPÉL DE YUL BRYNNER FOI NA VIDA REAL: MORREU COM MUITA DIGNIDADE E DEIXOU UM LEGADO PARA A HUMANIDADE.

 

Ator de dezenas de filmes e sucessos no teatro, por 30 anos consecutivos representando na Broadway e em excursões pelas maiores cidades dos Estados Unidos, seu carro-chefe “O Rei e eu”, Yul Brynner faleceu em 19 de Outubro de 1995, vitimado por um câncer no pulmão.

Enfrentou com muita coragem e dignidade o diagnóstico de seu médico, recebendo a noticia de que seu câncer era irreversível e muito em breve, ele, Yul, poderia entrar em estado terminal.

Deixou uma poderosa herança de serviço público, denunciando o fumo como causador dos males do pulmão, gravando um tape que deveria ser divulgado logo após sua morte.  Muitas emissoras de televisão, não só nos Estados Unidos, como no mundo, colocaram o tape no ar, gratuitamente.

O texto, gravado em Janeiro de 1995 e só divulgado em Outubro daquele ano, dizia o seguinte:

 “Agora que eu já fui, digo a vocês: Não fumem, o que quer que vocês façam, apenas não fumem. Se eu pudesse voltar atrás, deixando de fumar, não estaríamos falando agora sobre nenhum tipo de câncer. Eu estou convencido disto”.

Suas origens são nebulosas, e Yul gostava de manter mistério sobre sua infância e sempre protegeu sua vida familiar longe dos olhos do público e da curiosidade dos papparazzi ou redatores de tablóides de escândalos de Hollywood.

Mesmo tendo se casado quatro vezes, manteve um quase anonimato nas páginas de revistas ou tablóides de celebridade.

Do primeiro casamento, com Kathy Lee, ficou viúvo. Divorciou-se das outras três esposas, Jacqueline de Croisset, Doris Kleiner e Virginia Gilmore, deixando quatro filhos destas uniões.

Nasceu em 11 de julho de 1920, em Vladivostok, na Rússia, batisado como Yuli Borisovich Brynner. Seu pai era um engenheiro de nacionalidade dupla (russo´suiço). Sua mãe, Marouxia Blagovidova, era filha de um médico russo.

Seu  pai abandonou a família em sua infância, e sua mãe, depois de leva-lo para Mandchuria, onde ficou até 1934, mudou-se para Paris

Ali freqüentou muitos bares e boites de russos brancos e se tornou intimo de Jean Cocteau e se integrou à escola de Michael Chekhov.

Dali para Nova York foi um pulo, conseguindo um lugar numa peça da Broadway estrelada por Mary Martin, de quem se tornou amigo.  Já casado com Virginia Gilmore, estrelaram o primeiro talk show americano “Mr and Mrs”, em 1948.

Brynner aderiu à televisão, onde fez de tudo, inclusive foi um dos mais destacados diretores da rede CBS e ator em várias séries de TV da época.

Seu primeiro filme foi em 1949 “Port of New York, mas gostava mais de fazer  teatro.

Foi quando Mary Martin o recomendou para o papel principal de “O rei e eu”, que Richard Rogers e Oscar Hammestein estavam preparando para um musical na Broadway. Brynner ganhou o papel e por três décadas representou o Rei do Sião e suas aventuras com uma professora inglesa contratada para ser preceptora para seus filhos.

Antes do musical, houve uma versão não musical do livro “Ana e o Rei do Sião”, com Rex Harrison e a meiga Irene Dunne, considerada a primeira dama de Hollywood, Foi em 1946.

Yul BrynnerOutras duas se seguiram: uma com o próprio Yul Brynner e Deborak Kerr (de quem se tornou grande amigo), com o titulo “O Rei e eu”, em 1956, e, finalmente com Jodie Foster em 1999 e um ator chinês no papel do rei.

Yul Brynner trabalhou no musical por mais de 30 anos e em 1970 rodou por todo o país levando o espetáculo para mais longínquas regiões dos Estados Unidos.

Yul era uma figura. Super vaidoso, com 1,79 de altura, manteve a cabeça raspada como sua marca registrada para o papel de um monarca de um país exótico da Ásia.  Nunca mais deixou o cabelo crescer, inclusive quando atuou em alguns westerns.

Quando foi escalado para o papel de Faraó em “Os dez mandamentos” malhou seis horas diárias para manter um físico atlético, já que contracenava com Charlton Heston, que sempre ostentou condições atléticas invejável.

Eu o conheci pessoalmente em 1969, numa ilha chamada Freeport, nas Bahamas, onde a Warner Bros organizou um festival promocional de cinema para apresentar sete filmes e seus atores, diretores e equipes técnicas para 500 jornalistas convidados do mundo todo.

Ele estava representando “A louca de Chaillot”, onde contracenu com Katharine Hepburn e Danny Kaye.

Circulávamos no hotel inteiramente fechado para o festivl,  à vontade, eu, minha esposa, Giba Um, Paulo Perdigão e Miguel Ângelo, os convidados brasileiros e desfrutamos de certos momentos mais descontraídos com os atores.

Foi hilário um fim de tarde, no bar do hotel, Yul Brynner e Danny Kaye, ambos contando piadas no idioma russo, rindo às gargalhadas e mandando braza em sucessivas canecas de chopp.

Mistérios e marcas expressivas compuseram a carreira de 50 anos do ator, que, mesmo mal visto por parte dos críticos que o achavam um canastrão forçando um sotaque russo para qualquer que fosse o papel, colecionou uma série de prêmios e sucessos no cinema e no teatro.

Até na morte houve mistério. Anunciado seu enterro no não existente cemitério São Robert,no Monastério de São Michel, na não existente cidade de “LaTourraine France”, Brynner foi realmente enterrado no terreno da Abadia Saint-Michel de Bois Aubry, perto do vilarejo de Luzé, na França.

Morreu no mesmo dia do ator que muito admirava, Orson Welles.

Era um fotografo compulsivo.  Andava sempre com máquina fotográfica e deixou milhares de fotos para seus filhos, com flagrantes de todas as peças, programas de televisão e filmes em que trabalhou.

“O Rei e eu” deu a ele um prêmio Oscar, pelo filme, e um prêmio Tony, pelo musical da Broadway;  Em 1985 ganhou novo prêmio Tony ao atingir 4.525 representações do espetáculo.

Foi o único ator dos sete interpretes do filme “Os magníficos sete”, que participou da seqüência “O retorno dos magníficos sete” em 1966. seis anos depois da franquia que teve mais duas versões, das qual ele não participou.

Pertence a um clube seletivo de oito atores que receberam o Oscar e o premio Tony, por participaram da versão do cinema e do teatro, na mesma história.

Sua filha Vitória casou com o neto de Audrey Hepburn.

Disputou mas perdeu dois importantes papéis: Spartacus e Nicholas e Alexandra.

Sua carreira no cinema se estendeu de 1949 a 1976.

São Paulo verá em breve a versão musical de “O Rei e eu”, encenada por Jorge Takla, como parte da atual onda de trazer (coisa boa) para os palcos brasileiros espetáculos da Broadway, representados por atores, bailarinos, cantores e técnicos brasileiros.

  

mkus@uol.com.br

 



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