Mauricio Kus
UM DIA COM AS BOND GIRLS EM SÃO PAULO


Por Mauricio Kus, 14/02/2011 às 10:44

UM DIA COM AS BOND GIRLS EM SÃO PAULO

Era o fim do mês de agosto do ano de 1979. Os jornais e os trailers no cinema apontavam "Moonraker", o próximo filme do James Bond, o agente secreto 007, com permissão para matar, produzido por Albert Broccoli e, como sempre, com base em escritos de Ian Fleming.

Como era rotina, de dois em dois anos (o período entre um e outro lançamento dos filmes da franquia), Albert Broccoli vinha ao Brasil, sempre acompanhado de algumas das famosas Bond Girls, ou eventualmente, também, de uma ou duas figuras estelares do elenco.

Mas, as graciosas Bond Girls eram figuras obrigatórias neste tour, que incluía São Paulo e Buenos Aires. Entre as estrelas, tivemos Roger Moore, o segundo intérprete entre os seis atores que já representaram o papel. Ele passou longa temporada no Brasil filmando, sua quarta aparição na série e o sétimo filme da saga de James Bond, o agente da M16, no Rio de Janeiro e em Manaus, no Rio Amazonas; Desmond Llewelyn, o Q da série, o irascível gênio inventor da agência de espionagem, e fornecedor dos brinquedinhos tecnológicos que faziam Seann Connery ou Roger Moore escapar de todas as armadilhas e emboscadas armadas por seus inimigos. Deixou saudades, pela simpatia e carinho de “bom velhinho”, com que tratava as pessoas; Faleceu na Inglaterra, num acidente de carro; Honor Blackman, como Pussy Galore, de "007 contra Goldfinger", atuava também no teatro inglês; Ganhou prêmio por sua atuação em "A noviça rebelde", fazendo o papel interpretado por Eleanor Parker no filme, e estrelado por Petula Clark, no papel que no cinema, fora de Julie Andrews. Topol, ator israelense radicado em Londres, famoso por dezenas de anos com a atuação de Tewie, o leiteiro, em "Um violinista no telhado", que viveu no cinema e em teatros de vários paises espalhados pelo mundo, foi a estrela máxima do grupo,.



Richard Kiel, um gigante de 2,10m, veio com a esposa de 1,60 de altura e uma filhinha de menos de um ano que cabia na palma de sua mão. Era o famoso "Jaws", o homem de dentes de aço, um dos maiores vilões da saga.



Algumas Bond Girls se destacaram e não ficaram limitadas à figuração nos luxuosos filmes de franquia. Hale Barry ganhou um Oscar e é a grande vitoriosa de um time onde se destacaram Carole Bouqutet, Bárbara Bach, Britt Ekland, James Seymour, Lois Chiles e Corinne Clery, que depois fizeram carreira solo.

Nos dois últimos filmes da série, estrelados pelo ator James Craig, o estilo do agente mudou, pois Craig é mais afeito a resolver a coisas na porrada do que na maciota, como seus antecessores. Mas continua cercado de lindas mulheres e, mesmo com a morte do mentor da série, Albert Broccoli, o filme não vai à tela sem elas.

Mas, o esquema de lançamento de filmes mudou;. Os atores não fazem mais tours por vários países do mundo e os estúdios convidam centenas de jornalistas para entrevistá-los, em um lance só, em Nova York ou Los Angeles. Portanto, visita das Bond Girls virou saudade do glorioso dia que passaram em São Paulo em 1979.

Um craque em marketing, visando agradar a todos os públicos, Broccoli selecionava uma oriental, uma afro-britânica, ou caribenha e uma top model francesa.

A francesa Françoise Gayat, abandonou o escritório de advocacia, para seguir carreira nas passarelas e no cinema), a eurasiana Christine Hui (tinha apartamento em Paris, Hong Kong e Londres) e Nicaise Jean-Louis, de Guadalupe, vieram ao Brasil neste ano. Sobre Nicaise, o jornal em inglês editado no Rio de Janeiro, "Brazil Herald" escreveu: ela é a prova que “black is beautiful”.,

Agitaram e como!

Foi uma das mais tumultuadas coletivas realizadas na beira da piscina do antigo Hotel São Paulo Hilton (na Av.Ipiranga), em que os repórteres pouco se preocupavam a escrever ou perguntar, mas os fotógrafos trabalharam como nunca, em busca dos mais inusitados ângulos das três beldades. Christine Hui, quando não filmava era modelo exclusivo de Pierre Cardin. Sabendo que o famoso designer e costureiro tinha representação no Brasil, fez questão de visitar o então diretor dos escritórios brasileiros, André Chamouton.

Queriam saber do cinema brasileiro. Foram levadas por Mike Murphy, diretor da United Artistas e a jornalista Miriam de Alencar, sua esposa, para visitar o produtor Oswaldo Massaini, na Cinedistri, e se encantaram com o trailer de "O pagador de promessas" e ficaram impressionadas com o número de produções de sua companhia, estampados em cartazes dos filmes nas paredes do escritório.

Fãs de futebol, foram levadas para o Parque São Jorge, onde assistiram a um treino do Corinthians. As poucas centenas de torcedores nas arquibancadas vibraram com aquele presente especial e os jogadores se acercavam, tendo havido até uma troca de passes entre eles e as moças. Sócrates, como o único craque que falava inglês, foi o interlocutor do grupo. Desnecessário dizer que haviam dezenas de fotógrafos e cinegrafistas e esta visita entrou em todos os noticiários de TV, estações de rádio e fotos publicadas em jornais do dia seguinte. Hoje, com internet e noticia on-time, a repercussão seria muito maior.



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Fomos ao programa do Chacrinha, que tinha muita audiência, apesar de já estar na Bandeirantes, fora da liderança da Globo. Aconteceu ali um fato inesperado: Leleco, filho do apresentador e produtor do programa, ao ver um grupo vestindo a camiseta do Moonraker, se aproximou e perguntou "De que banda vocês são?".Entre meus amigos, esportivamente vestidos com a camiseta, havia um cirurgião plástico, um advogado e um oftalmologista, nenhum pertencente a qualquer tipo de banda.

A noite, fomos jantar no Jockey, a convite do presidente Hernani de Azevedo e Silva. Foi um alvoroço só. A maioria dos binóculos voltados para nossa mesa e não para a pista onde desfilavam ou corriam os cavalos.Deram uma passadinha por lá, o ex governador José Roberto de Abreu Sodré, o industrial e turfista Matias Machline e o investidor Naji Nahas.

Quando perguntado se valia a pena um investimento daquele porte, em número de pessoas e despesas de hotel, locomoção, etc. Albert Broccoli, sempre de olho no merchandising, dizia: "O retorno em publicidade foi tão grande, que mesmo fretando um avião só para nós, ainda saia barato".

Maurício Kus

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