Mauricio Kus
GRANDES ESTRELAS...PEQUENOS DESLIZES


Por Mauricio Kus, 26/08/2009 às 15:04

Duas experiências quase idênticas, com jornalistas no Aeroporto Internacional de Viracopos (antes da inauguração de Guarulhos), com duas estrelas de cinema de renome, ambas viajando em ocasiões diferentes pela Braniff (companhia aérea da qual eu era diretor de relações públicas), obviamente de primeira classe.

Todos os dias de manhã eu verificava pelo telex, o e-mail da época, a lista de passageiros vindos de Nova York e Los Angeles, para ver se tinha embarcado algum passageiro importante que merecesse a atenção da imprensa.



Quando vi o nome de Natalie Wood, avisei a imprensa e vários jornalistas se deslocaram para Campinas a fim de entrevistá-la. O destino do avião era sempre o Rio de Janeiro, mas os jornais paulistas aproveitavam a parada de 40 minutos em Viracopos para entrevistar eventuais personalidades e celebridades.

O avião terminou de taxiar, subi a bordo e encontrei, uma Natalie Wood com olheiras e cabelo desarrumado praticamente jogada na poltrona. A chefe das comissárias comentou que ela (Wood) havia bebido muito durante a noite.

Expliquei que havia repórteres esperando por ela, que recusou descer do avião informando que seu destino era o Rio de Janeiro e lá, sim, ela resolveria se falaria ou não com a imprensa.

Vinha ao Brasil à convite do Festival da Canção. Não cantava, mas os organizadores sempre traziam estrelas de Hollywood, através de Jorginho Guinle para dar um sabor estelar ao evento.

Todos voltaram decepcionados, e o avião decolou rumo ao Rio. Natalie entrou no banheiro ficou lá por mais de 30 minutos e saiu linda, graciosa, maquiada, com uma elegante saia e blusa, mas também não falou com a imprensa no Rio. Só se deixou fotografar.

Detalhe: Lamentavelmente Natalie Wood era alcoólatra e morreu, depois de muito beber em um passeio de iate. Encostada na mureta do barco, caiu no mar com um copo na mão. Seu corpo só foi resgatado na manhã seguinte.

Os estúdios informaram que foi acidente, mas muitos acreditam que houve suicídio.



Outra bronca, bronca mesmo, foi com Gina Lollobrigida. Ela embarcou incógnita, em Los Angeles, mas um despachante do aeroporto a reconheceu e nos mandou um telex avisando que ela estava a bordo.

Como não havia informação nenhuma de privacidade (que a companhia naturalmente respeitava), lá fomos nós, e um bando de jornalistas atrás de uma entrevista em Viracopos.

Quando embarquei a bordo e a convidei para uma entrevista com os jornalistas no saguão do aeroporto, só faltou ela me agredir. Soltou um repertório dos mais famosos palavrões em italiano e em inglês, jogou o copo que segurava no chão, e ficou tão furiosa que foi preciso o comandante intervir para acalmá-la.

O avião decolou para o Rio e a tripulação ressabiada, fez com que descesse sem ser percebida.

Lollobrigida veio ao Rio de Janeiro incógnita para fazer uma plástica com Ivo Pitangui. Como a imprensa sabia que ela estava no Rio, comprou uma passagem para Buenos Aires no mesmo dia, e fez com que todos vissem que ela estava indo embora.

Veio escondida no dia seguinte, fez a plástica e voltou a Los Angeles sem ser notada.

OS CAFAJESTES



Véspera da estréia de "Os Cafajestes", filme de Ruy Guerra, em que Norma Bengell aparece completamente nua. Rodado em 1961, com problemas com a censura, acabou estreando em 1962 apesar dos protestos das marchadeiras de Santana.

Fui contratado para divulgação e promoção do filme. Conversei com o amigo Álvaro Moya, na época diretor da programação da TV Excelsior, sobre a possibilidade de fazermos uma promoção conjunta. Moya, que também era homem de cinema topou e pediu que fizéssemos uma exibição do filme.

Falei com Arnaldo Zonari, presidente da distribuidora Fama Filmes e ele mandou vir a cópia do Rio, acompanhada de Jece Valadão e Daniel Filho.

Moya precisava mostrar o filme para Wallinho Simonsen, dono da emissora, que só podia vê-lo bem tarde da noite.

Como Jece e Daniel esperavam vir e voltar no mesmo dia, oferecemos hotel para os dois, que voltariam então para o Rio na manhã seguinte.

Aí surgiu um problema: como apresentá-los ao herdeiro da fortuna dos Simonsen (donos de banco e também da Panair do Brasil) do jeito que chegaram: calça jeans amassada, camiseta e sapato sem meia?

Como a TV Excelsior ficava no prédio do Cultura Artística, o jeito foi sair correndo para as lojas da Rua Augusta, para renovar o vestuário da dupla. Por um problema de agenda ou mesmo espaço na grade de programação, a promoção não saiu.

Mesmo assim, "Os Cafajestes" vendeu no primeiro dia, num só cinema, o Art Palácio, 12.000 ingressos, com uma só cópia. Hoje com o tamanho dos cinemas atuais, seriam necessários - pelo menos - 15 cópias e 15 cinemas para alcançar este número de espectadores num mesmo dia.

CANNES

Festival de Cannes de 1987. Assistimos ao filme “Barfly” na sessão de gala no Palais du Festival e depois fomos ao Hotel Carlton para um jantar oferecido pelos produtores israelenses Menahem Golan e Yoran Globus.

Como eu e minha esposa Sarinha éramos convidados do falecido Alexandre Adamiu, proprietário da Paris Filmes, um dos mais dinâmicos e empreendedores homem de cinema no Brasil (à sua época) os dois israelenses tentaram nos agradar, colocando-nos numa mesa privilegiada. Adamiu distribuía todos os filmes da dupla e era um de seus maiores clientes em todo o mundo.

Fomos companheiros de mesa de Mickey Rourke, um diretor israelense de quem não lembro o nome, Margo Kidman (a Lois Lane de “Superman”) e Bruno Ganz, ator de “Asas do Desejo” de Win Wenders. Como sobrou um lugar, Golan trouxe Faye Dunaway para ficar em nossa mesa.

Faye sentou-se, começou a falar alto, interrompeu as conversas de outros convidados, criticou a comida e o serviço e deixou todo mundo constrangido.

Lembro de ter lido há anos uma entrevista de Roman Polanski sobre o filme “Chinatown”. Quando falou de Faye Dunaway, disse que ela era uma chata.

Não é que tinha razão?

mkus@uol.com.br




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