Mauricio Kus
OSCAR 2010: ESQUECERAM DE MIM


Por Mauricio Kus, 12/03/2010 às 0:8

OSCAR 2010: ESQUECERAM DE MIM

Como sempre a cerimônia de Oscar transcorreu impecável, com timing perfeito, controle sobre os enfadonhos discursos relacionando agradecimento a toda família, inclusive o porteiro do prédio, o cãozinho de estimação e a empregada que sabe preparar – como ninguém - aquela maravilhosa panqueca do café da manhã.

Mas, não tem Oscar sem escorregadela e desta vez a pisada do tomate surgiu no momento mais cerimonioso e dramático do espetáculo de televisão em que transformaram a entrega dos prêmios Oscar da Academia.

Foi o momento da saudade, quando os apresentadores listam os atores, técnicos, diretores e gente da indústria falecida no ano anterior, e telão mostra foto do homenageado ou cenas de filmes em que apareceram, como um tributo aos que se foram.

Só que esqueceram de incluir uma mulher que marcou sua época em Hollywood, a bela e deslumbrante Farrah Fawcet, conhecida como um dos maiores símbolos sexuais femininos da década de 1970 e uma das mulheres mais bonitas de todos os tempos.

Farrah Fawcett, a texana nascida em Corpus Christi a 2 de fevereiro de 1947, faleceu em Santa Mônica no dia 22 de junho de 2009, no mesmo dia em que faleceu o rei do pop Michael Jackson, fazendo com que as noticias de sua morte fossem ofuscadas pela mídia internacional.

Mas, a omissão do Oscar deu o que falar. No dia seguinte à entrega dos prêmios, Tatunm O’Neal, filha de Ryan O’Neal, companheiro de Farrah divulgou um comunicado lamentando a ausência da atriz. “Ficamos bastante tristes pelo fato de uma atriz verdadeiramente talentosa como Farrah Fawcett não ter sido incluida na montagem durante a 82ª edição do Oscar. Linda e talentosa, Farrah nunca será esquecida por sua família e seus fãs”.

O diretor executivo da Academia se desculpou pelo site da revista People, esclarecendo que a exclusão de Farrah se devia ao fato de que – como seu maior destaque foi na série de TV “As panteras”, a homenagem deveria ser feita na entrega do Prêmio Emmy, que faz a premiação para os programas e séries de TV. Mas Farah Fawcett também apareceu nas telas de cinema em vários filmes.

O diretor lembrou ainda que a inclusão de Michael Jackson – mais conhecido por sua carreira musical – se deveu ao fato de o astro ser tema de um documentário no ano passado.

Bull shit, como dizem os americanos, ou em bom português, ta bom ta.

Outra omissão, esta muito triste. Amigos americanos mandaram um e-mail relatando que Mickey Rooney foi à entrega de prêmios do Oscar. Ninguém o entrevistou, ninguém notou que ele estava lá, ninguém se incomodou com ele. Principalmente o exercito de aspones contratados pela Academia para pinçar as celebridades e levá-las para os repórteres de televisão que fazem normalmente a cobertura do pré Oscar no tapete vermelho. Não caiu a ficha que aquele velhinho, baixote, gordinho de voz rouca era Mickey Rooney, considerado pelo Livro Guiness dos Recordes como o ator com mais longa carreira nos palcos e nas telas.

Mickey Rooney, nascido Joseph Yule Jr., começou sua carreira em 1927 em pequenos papéis e terminou sua longeva carreira no cinema em 2006.

Destacou-se na televisão, como protagonista do The Mickey Roonie Show e mais três séries entre 1964 e 1993. Neste meio tempo apareceu em quase uma centena de filmes e em diversos espetáculos na Broadway, inclusive um musical ao lado da Ann Miller, que tive o privilégio de assistir.

Em 1937 fez o primeiro filme da série Andy Hardy, ao lado de uma também jovem estreante no estúdio, Judy Garland. Foram vários sucessos da Metro, uma parceria que durou até 1958, quando foi lançado o último Andy Hardy, com o titulo “Andy H dy – final”.

Mostrou sua faceta de ator dramático com apenas 18 anos, atuando ao lado de Spencer Tracy em “Boys Town”, em 1938.

Mickey Rooney nasceu no Brooklyn, em Nova York , numa família de vaudville. Seu pai, Joseph Yule, era escocês e sua mãe, Nelli W., era de Kansas City, no Missouri. Ambos atuavam no teatro e Joseph Jr nasceu na produção do Brooklyn “A Gaiety Girl”. A carreira de Mickey Rooney começou aos quinze meses de idade acompanhando os pais, quando fizeram para ele um smocking especialmente costurado para sua idade. Obviamente, entrava no palco no colo da mãe.

Em 1942 Mickey Rooney deixou os homens de todo o mundo babando de inveja quando casou-se com Ava Gardner, a mulher mais bonita do cinema naquela época, cobiçada até por Fank Sinatra. O casamento durou apenas um ano e foi o primeiro de outros sete, dos quais tem sete filhos.

Tinha preferência por casar-se com atrizes.

Suas esposas, após Ava Gardner, na ordem: Betty Jane Rase, Martha Vickers, Elaine Devry, Carolyn Mitchell, Margo Lane, Carolyn Jockett e Jan Chamberlin.

Hoje, ao lado de Jan, Mickey Rooney vive em Westlake Village , na California.

Ambos atuam como defensores dos direitos dos veteranos e dos animais e ocasionalmente vão a Hollywood para assistir ao Oscar ou a alguma pré estréia de filmes famosos.

Passam invisíveis, poucos o reconhecem. Pior do que uma velhice em asilo ou casa de idosos, solidão e ingratidão dos filhos, é viver do passado e passar em brancas nuvens pelo presente.

Aposto que se os aspones do Oscar vissem o Jesus da Madonna chegando correriam para levá´-lo aos repórteres de TV, que acabariam brigando pelo privilégio de entrevistar a “celebridade instantânea”.

Obrigado Mickey Rooney pelo encantamento que V. deu à minha juventude, pelas engraçadissimas comédia que V. interpretou e pelos lances dramáticos em que V. – por décadas - levou as platéias às lágrimas.

E viva sua juventude e jovialidade aos 90 anos de idade.

Que os aspones o reconheçam no Oscar 2011...

mkus@uol.com.br




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